sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Qualquer [Poemetos]

Qualquer

Numa noite nua
qualquer
grito de bondade
será punido
se não pela impaciência
que é trem
pela discordância
de verbos no imperativo
A primeira pessoa foi abolida
no singular
pelos edifícios em cinza
no plural,
pelo tecnológico avanço do não-ser.
Numa noite crua
qualquer
expressão de amor
será banida
se não pela solidão
que é muro
pela discordância
de sujeitos no singular
O primeiro não concorda com a ação
que realiza o segundo triunfante
sem dizer que eram dois.
Numa noite sua
qualquer
adeus será compreendido
se não pela incerteza do amanhã
que não bate ponto
pela pluma da perfeição
que é só palavra.

Patrícia Pirota
2006

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