quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quino e Mafalda

Confesso que passei as últimas duas horas tentando escrever esse post. Assim como aconteceu com o post sobre Machado de Assis, esse meu imenso amor por Mafaldinha e seu pai parece que tem o poder de bloquear todas as palavras.

 Joaquín Salvador Lavado nasceu em Mendonza, na Argentina, em 17 de julho de 1932. Desde cedo foi chamado de Quino, para distingui-lo de seu tio, Joaquín Tejón, pintor e publicitário com o qual Quino acabou descobrindo sua vocação.


Em 1963, Quino publicou seu primeiro livro, Mundo Quino, uma compilação de seus desenhos de humor gráfico. Nesse mesmo ano, Quino foi chamado para fazer a campanha publicitária da empresa de eletrodomésticos Mansfield, cuja solicitação era que fosse uma história em quadrinhos que misturasse Blondie e Peanuts. Foi aí que nasceu, dos pincéis de Quino, Mafalda. Só que a empresa não aprovou a campanha [Papafritas ellos, no? ;)], e Mafaldinha acabou esperando até 1964 para ser apresentada ao mundo.


Aqui uma página de historieta criada por Quino
Fonte: Comic strip of the day

Embora Mafalda seja sua criação mais famosa, Quino também mostra toda a ironia e a crítica à sociedade em seus demais trabalhos. Um dos assuntos prediletos das historietas de Quino é a Política, assim como podemos ver no quadrinho acima, no qual o pobre cão cai no conto do candidato.

Outras publicações de Quino
[Montagem feita com imagens retiradas do site oficial do Quino]

E depois de falarmos do criador, falemos da criatura. Sim, a personagem que eu gostaria de ser, a criança mais crítica e irônica [e fofa!] dos quadrinhos: Mafalda.

Como foi dito um cadinho ali pra cima, Mafalda nasceu para uma campanha de eletrodomésticos, mas ainda bem que os papafritas da Mansfield recusaram a campanha de Quino, pois foi assim que ela nos foi dada de presente. Em 1964, foram publicadas três tiras no suplemento humorístico da revista argentina Leoplan. E em 29 de setembro do mesmo ano, o semanário Primera Plana passou a publicar as tirinhas regularmente, sendo esta sua "data de nascimento". Pra tristeza geral das nações - porque Mafalda já não é mais Argentina, mas Universal - as últimas tirinhas inéditas de Mafalda desenhadas por Quino são datadas de 1973.


Provavelmente ouvindo Beatles. ;)
Fonte: Toda Mafalda

Se você quiser saber toda a trajetória das publicações de Mafalda, sugiro que vá até a página oficial do Quino [AQUI], em que há uma cronologia detalhada e confiável. E se quiser saber um pouquinho sobre a história de Mafalda e sobre seu "currículo vitae" [Sim! Ela tem!], sugiro que leia essa matéria AQUI, publicada pelo Estadão. Ah, e pra quem ainda não conhece, existe o Clube da Mafalda, blog com muitas tirinhas da Mafalda publicadas online.

Mas por que eu sou apaixonada por Mafalda? Quando foi que minha história e a dela se cruzaram? Dá cá a mão, e vamos voltar no tempo...


Eu sempre gostei de quadrinhos, muito embora meu universo quadrinístico se resumisse a Turma da Mônica e Turma da Disney. Só que quando me tornei adolescente, eu sentia falta de alguma coisa naqueles meus gibis lidos e relidos tantas e tantas vezes. Foi quando, perdida em um livro didático, estava a Mafalda. E ela sorriu pra mim. E então eu vi minha desilusão com o mundo [que adolescente que não é desiludido com o mundo, minha gente?!] refletida naquele sorrisinho traquinas daquela menina que, ainda tão pequena, sabia mais do mundo que muito adulto.
  
E então eu cresci lendo Mafalda nos livros didáticos, porque naquela época não havia internet [É, eu sei, 'tô velha!] e os quadrinhos que não fossem gibis eram difíceis de serem conseguidos, ainda mais por uma menina pobre como eu. E daí a menina pobre cresceu e começou a trabalhar, e pode comprar sua Mafalda todinha pra ela.

O dia em que o Toda Mafalda chegou na minha casa [eu comprei online] foi, possivelmente, um dos dias mais felizes da minha vida. Só de pensar que eu teria ai todas as tirinhas da Mafaldita, e que eu poderia conversar com ela quando quisesse, era muita alegria pra uma pessoa só! Fiquei namorando o livro por dias e dias... E ainda hoje, quando o dia está cinzento demais até pro meu coração de gengibre, sento com Mafaldinha na cama, e peço pra ela me ensinar mais sobre a vida.

Porque acho que é isso mesmo que Mafalda faz: ela ensina sobre a vida. Com esse jeito questionador, ácido, às vezes até ranzinza, ela consegue mostrar verdades que nós, adultos, acabamos deixando passarem desapercebidas, ou então jogamos pra debaixo do tapete. Muitas vezes, o que mais nos encanta em Mafalda, ou nas demais personagens, é que ela é capaz de falar aquilo que deixamos engasgado, pois já estamos grandes demais pra tanta verdade.

E não é apenas a Mafalda que se destaca em toda aquela turminha. Susanita é a crítica encarnada [ou seria desenhada?] das mulheres que abdicam de seus direitos feministas, e querem apenas ser boas mães e não pensar em guerras, pobreza ou fome; Susanita é a própria mulher de classe média dos anos 60!

Aliás, se tem uma coisa que ainda me espanta é o fato de, mesmo tendo sido escrita entre os anos 60-70, Mafalda ainda ser absolutamente atual. Por isso ela é considerada um clássico, porque, embora ela tenha elementos datados, o argumento e a crítica continuam fazendo sentido nos dias de hoje!

E o que dizer da fofura do Miguelito e todo o seu jeitinho perdido? E do jeitão perdido e sofrido do Felipe? E do Capitalismo tomando todos os poros do pobre Manolito? E dos pais de Mafalda, retratos fieis de uma família que tenta ensinar os melhores valores pros seus filhos, mas que, definitivamente, não está preparada pra um Tsunami no lugar de uma criança.


Fonte: Toda Mafalda

Ah... Eu ficaria falando horas e horas sobre Mafalda! [Inclusive, já falei dela em vídeo, já viu? AQUI, ó] E veja você, aquele branco lá do começo passou. No fundo, era uma mistura de admiração com respeito...

E você já viu a animação que fizeram com as historietas dela, a Mafalda - La PelículaAQUI nesse link você pode ver Mafaldinha falando e dando bronca no mundo.

Mas me conta, você gosta de Mafaldinha também? Já conhecia os outros trabalhos do Quino? Compartilha aí com a gente sua história com la enfant terrible. ;)

E agora que me dei conta de que nunca havia feito um texto tão ilustrado... Culpa do Quino, que me faz ver o mundo através de traços, cores e tintas totalmente diferentes...




Um beijo procês!

Um comentário:

  1. Ai que linda sua história Mafaldinesca! Emocionante...vou até procurar o Toda Mafalda no Submarino.
    Beijos, Patrícia!

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