sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Um pedra no sapato...

Dia desses eu estava voltando do trabalho, quando senti um certo incômodo por entre os dedos. Deve ser uma pedrinha, pensei, mas como estava andando debaixo de um sol de mil graus [Hipérbole, dá cá um abraço, sua linda!], não queria parar no meio da rua pra tirar a tal pedra, e, dependendo da hora, ela nem incomodava tanto...

Fato é que andei, andei e andei... E aquela maldita pedrinha ficava sambando no meu pé. E eu continuava andando, mesmo com aquele objeto estranho que ora parava ora incomodava.

Ao chegar ao outro trabalho, tirei o sapato e então joguei fora a tal pedrinha. E era inha mesmo, mas como incomodava!

Depois, na volta pra casa, fiquei pensando em quantas pedrinhas no sapato carregamos durante a vida toda. Aquela conversa que tivemos com alguém, e que continua nos incomodando. Aquela amizade que já não dá mais frutos. Aquele projeto que há muito continua na gaveta, de onde a gente nunca tirou. Aquele amor que de amor só tem a lembrança do que um dia foi. Aquele emprego que só dá dor de cabeça. Aquela paixão que já deixou de ser chama há tantos anos. Aquele vestido lindo que você nunca teve coragem de usar, mas que, ainda assim, não tem coragem de se desfazer.

São tantas as pedras no sapato, que me pergunto o que nos impede de parar no meio do caminho e retirá-las. Afinal, o alívio é tão grande depois que tiramos de nós aquilo que nos incomoda. É tão bom poder caminhar livres, sem a sensação de que algo nos impede de continuar.

Pode ser que você tenha medo de se desapegar, mas ó, a gente precisa desapegar daquilo que não nos faz bem, viu. É difícil parar no meio dessa rua movimentada e ensolarada que é a vida, eu sei que é duro, mas a gente precisa parar e tirar essas tantas pedras que nos atravancam a caminhada.

Sei que é difícil colocar um ponto final numa conversa que ficou pela metade. Ou então pensar que aquela pessoa a quem se tanto amou - seja como amigo, seja como amante - já não cabe mais em você, e você não cabe mais nela. Ou mudar de emprego a essa altura da vida, depois de seu emprego atual já ter o formato do seu comodismo. Ou deixar de investir num projeto - seja do trabalho, seja pessoal -, mesmo que ele já não faça mais sentido pra você. Ou aceitar que, mesmo lindo, aquele vestido não foi feito pra você.

É difícil pra diabo, eu sei! E falo isso como pessoa que vive carregando pedras no sapato. Só que uma hora a gente precisa desapegar dessa dor que já se acostumou a sentir. Do contrário, os calos que essas pedras formam lhe impedirão de seguir em frente.

Que tal retirar uma pedra de cada vez? Hoje aquela conversa, amanhã aquele amor, depois de amanhã aquele projeto... Quem sabe assim dói menos. Porque eu bem sei que desapegar dói.

A gente se acostuma aos incômodos da vida, já reparou? Chega uma hora em que eles parecem fazer parte do que somos. E lá vamos nós, ganhando gastrites e tantas outras ites por conta dessas pedrinhas que, antes pequenas, já se transformaram em muros inteiros pesando em nossos ombros.

Da próxima vez em que uma estrupícia dessas penetrar sorrateiramente em seu sapato, pare um pouquinho, descanse um pouquinho, jogue o que te incomoda pra bem longe, e sinta o quão gostoso é poder caminhar leve, livre e solta dessas traquinagens que a vida, vezenquando, nos faz...

4 comentários:

  1. É verdade, Patrícia... que a gente não se esqueça de parar, jogar as pedrinhas fora e seguir em frente :)

    beijo grande,

    Pipa

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  2. lindo texto,Patricia lance um livro com essas suas reflexões o mundo precisa delas.

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