terça-feira, 29 de outubro de 2013

A condição indestrutível de ter sido - Helena Terra [Editora Dublinense]

Já eram duas da manhã quando terminei de ler o livro de Helena Terra. E como se fosse combinado, lá fora e aqui dentro a tempestade se fez presente. A chuva grossa e avassaladora que caía pras bandas de lá de minha janela, também chovia em meu peito. Assim como as gotas de chuva lavavam as ruas da sujeira dos dias, as lágrimas que condição indestrutível de ter sido provocaram em mim, lavavam meus olhos, meu rosto, minha boca e, principalmente, meu coração.


Enquanto lia o livro, sentia como se cada uma das palavras embebidas em poesia saíssem de um conta gotas direto pras minhas veias. Como uma grande catarse, Helena me transbordou. Me lavou inteira de poesia, lágrimas e a certeza de que a condição de ter sido é sempre a que mais dói, não importa por quantas vezes a ultrapassemos.

Sua narrativa é tão poética quanto tomar um café sozinha no fim da tarde, observando o pôr-do-sol. Uma narrativa introspectiva, mas que transborda. Um estar sozinho no mundo, mas com um quê de conforto. Um aroma forte da vida que grita dentro e fora de nós.

Sua personagem é muitas. São muitos estilhaços divididos entre o amor, a paixão, a fúria, o ciúme, a solidão, o medo. E toda essa avalanche de sentimentos vai sendo costurada com uma linha forte, mas doce, pela autora.

Não é uma narrativa linear, exatamente porque não conta uma história linear. Não é o café, pão, jornal, trânsito das manhãs cotidianas. Não, condição indestrutível de ter sido é a manhã depois da noite mal dormida. É o tomar café apressado e derrubá-lo na blusa branca. É a olheira que não se esconde por trás do corretivo mais potente.

É uma história de amor que dá certo, e não dá certo. Como todas as histórias de amor desse mundo. A diferença - e eu sempre digo que essa é a diferença entre livros bons e ruins - é a forma como Helena Terra conta a história. Porque não é o que se conta, mas como se conta que importa. E esse como contar de Helena faz com que nós, leitores, nos coloquemos lado a lado com aquela moça por detrás do computador, e absorvamos suas palavras como se fossem as nossas. E choremos suas lágrimas como se fossem as nossas, até porque serão nossas, uma vez que é impossível não virar nuvem e chover durante a leitura.

Ler condição indestrutível de ter sido foi como levar uma surra em doses homeopáticas. Uma hora vinha o soco e logo depois o suspiro de se saber ainda vivo. Helena Terra me traduziu, e eu não poderia tê-la lido em melhor hora, pois o livro veio até mim justamente quando meu coração precisava de boas doses de poesia, realidade e acalento.

condição indestrutível de ter sido é uma leitura que dói e deixa cicatrizes, não vou mentir. Mas são essas mesmas cicatrizes que mostram o quanto somos fortes por termos sobrevivido.

Se você deve ler "condição indestrutível de ter sido"? Não, você não deve ler, você PRECISA ler. Você precisa sentir na pele, e no peito, e na garganta aquele furacão de sentimentos pra modo de expurgar esses demônios aí que você vem guardando há tanto tempo.

Eu o conheci através da minha querida Juliana Gervason, do O Batom de Clarice. Quem me conhece sabe bem o quanto tenho senões com novos autores, e como leio pouca literatura feita por mulheres. E ainda bem que eu sempre tomo as indicações da Ju de olhos fechados, porque se livro fosse roupa, nesse exato momento da minha vida, condição indestrutível de ter sido poderia ser aquilo que chamamos de "meu número", pois me caiu como uma luva.

Por último, veja alguns trechos que separei do livro, e me diga: "Tem como não se apaixonar?"...


"Sempre que fiquei sentada por horas e horas encarando o monitor e uma mensagem não veio, pedi por sua alma. Ofereci sua alma aos demônios. Os meus. Suas ausências foram a minha pior face." (p. 20)

"Iria como uma nuvem, transformei-me em nuvens. Criei pra nós um céu de palavras e o habitei com a atmosfera carregada de esperanças e de verbos. A esperança e o verbo eram o meu ar, as minhas nuvens, o meu amor. Sem eles, pouco me importa ser de carne e osso e ter ou não ter uma cabeça, tronco e membros." (p. 21)

"Ouvir, enxergar, tocar: queria ter sido escolhida por ele como um poema em uma antologia. Queria ser o poema sentado ao lado dele no cinema, no carro, em qualquer lugar." (p. 31)

"Se há esperança para recordar, você segue em frente. Se você tem alguém para compartilhá-la e andar junto, para dizer, sim, essa é a nossa trincheira, essa é a nossa tábua a mar aberto, seja de um mar salgado ou de invisibilidades, você se ultrapassa e vai além da rotina complexa de uma relação virtual [...]" (p. 63).

Referência: TERRA, Helena. A indestrutível condição de ter sido. Porto Alegre: Dublinense, 2013.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A medida das nossas dores...

Lá estava eu - numa segunda-feira velha de guerra, que explorava todas as suas possibilidades em ser insuportavelmente segunda-feira - com o coração partido.

Na verdade, não era bem o coração que estava partido, mas o cérebro que havia ficado meio desequilibrado por conta de uma decepção aqui, uma frustração ali.

De todo modo, não é isso o que importa, o que importa é que eu, embora vestida de verde, me encontrasse tão cinzenta por dentro. E me arrastava como se estivesse presa a grilhões tão pesados quanto o mundo que não é o de Drummond.

Foi quando vi um de meus alunos mais fofos, mais serelepes, mais sorridentes, todo tristinho, ele próprio arrastando seus mini grilhões.

Soube então que, naquela tarde, seu cachorrinho tão amado seria sacrificado. Ali, na minha frente, estavam as lágrimas e os sentimentos de um menino de 10 anos, cujo melhor amigo canino seria morto.

Ali estava a infância sendo manchada por um acontecimento irreversível, e eu e meu pseudosofrimento nos sentimentos pequeninos diante daquela dor tão singela.

Porque os adultos estão acostumados com as tantas bofetadas diárias. Dói um 'cadinho, choramingamos um pouco, enchemos o saco dos amigos, as timelines dos desconhecidos e logo estamos prontos pra outra frustração, outro coração que, de tão partido, já nem se importa mais em ser incompleto.

Agora, a dor daquela criança, tão desacostumada sequer a chorar por um tombo, era tão grande, mas tão grande, que não cabia nela e transbordava em lágrimas. Lágrimas pesadas, doídas, sinceras.

Talvez hoje minhas lágrimas não sejam mais tão sinceras. Digo isso porque às vezes penso que inventamos nosso próprio sofrimento. É, é isso mesmo que eu disse, nós inventamos nosso próprio sofrimento. Porque viver sempre feliz incomoda, não só a nós mesmos, mas aos outros, e, consequentemente, a nós mesmos de novo. Daí que esse ciclo vicioso acaba criando em nós, seres desumanos, essa necessidade de sofrer.

Não me venha dizer que você, em nenhum momentozinho desta malfadada vida, nunca inventou um sofrimento. 'Cê jura, bem?! Pense bem, meu bem...

Porque nós não conseguimos levar uma vida mais do mesmo pra sempre. Uma hora ou outra a gente inventa um terremoto qualquer só pra desopilar um pouco, chorar um pouco e depois sair por aí sorrindo à toa porque a vida, oras, a vida é bela assim mesmo, entre casas, bananeiras, laranjeiras e tudo indo devagar, igual à cidadezinha qualquer drummondiana.

No final do dia, escrevi um bilhetinho pro aluno fofo: "Vai ficar tudo bem, eu prometo! Essa tristeza aí vai passar, e vão ficar só as boas lembranças no lugar. Beijinho!". Ele leu, sorriu e voltou pro seu lugar ainda com os passos pesados de quem vai encarar a morte pela primeira vez.

Depois, fiquei com vergonha daquele meu tal coração partido lá do começo do texto. O que era mais uma decepção banal dessa tal de vida perto da perda irreparável de uma criança que ainda vê o mundo com os olhos da inocência?

Minha dor ficou tão pequena, que sumiu de vergonha. Afinal, ela não merecia morar nos meus pensamentos. Era uma dor tão boba, que despachei-a pra terra das dores bobocas, que inventamos pra fingir que estamos vivos.

Mas não é muito melhor estarmos vivos sem precisarmos ter pena de nós mesmos? Estarmos vivos porque sim, temos uma vida boa, casa, comida, roupa lavada e emprego pra bater o ponto todo dia? Estarmos vivos porque podemos encontrar amor em nós mesmos e ao nosso redor a todo momento? Estarmos vivos porque a vida, sem mistificações, nos basta? Estarmos vivos porque, aleluia!, o mundo está cheio de possibilidades?

Essa vida besta mesmo, meu deus, mas tão nossa, com nossas próprias pedras, que vão ficando pelo caminho, se as deixarmos... Essa vida aí, que te faz olhar pela janela e sorrir só porque daqui a pouco você vai encontrar alguém, ou a si mesmo, pra sorrir junto. Essa vida que nos faz ter esperança, por menor e mais boba que seja. Essa vida que é bonita, e é bonita e é bonita porque é nossa, tão absurdamente nossa.

E posso te contar uma coisa? Não é que, no final das contas, até eu acreditei no meu próprio recado? ;)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A gaveta e a vida.

Todo mundo tem uma gaveta, não importa o tamanho, que é o samba do crioulo doido. Pode ser do guarda-roupa, da cômoda, da estante, do armário da cozinha. Não importa em qual cômodo ela esteja, o fato é que todos temos uma gaveta na qual jogamos coisas diversas e, com, o passar do tempo, ela se torna o caos.

Eu tenho - ou tinha - uma gaveta assim no meu guarda-roupa. No início, separei-a pra guardar cosméticos fechados e coisas relacionadas aos eletrônicos [cabos, carregadores e afins]. Daí, um belo dia, passei a colocar ali também alguns papéis. Pronto!

Chegava com alguma sacola e jogava lá. Foram sendo misturados remédios, embalagens vazias de cosméticos, barras de cereais, contas pagas, fones de ouvido. Uma verdadeira Babel das tranqueiras. E eu sempre que a abria prometia que no próximo fim de semana ela seria arrumada.

Acho que já fazia um ano que essa promessa de arrumação vinha se arrastando, até hoje, um Domingo lindo de Sol, em que aproveitei a mente bagunçada e o corpo elétrico pra sentar e arrumar a tal gaveta.

Saldo: três sacolas cheias de coisas jogadas no lixo. E fiquei com uma gaveta meio vazia. O que sobrou, organizei por setores, e pronto, acabou o caos da tal gaveta de Babel.

Daí fiquei pensando que também a vida era como essa gaveta. Quando menos percebemos, lá estamos entulhando nossa vida de relacionamentos vazios, atitudes descartáveis, pessoas que não cabem no nosso cotidiano.

Entulhamos nossa vida com medos desnecessários, sorrisos amarelos, apertos de mão fracos e abraços desonestos.

Enchemos nossa vida com ilusões perdidas, expectativas vãs, saudades de algo que nunca mais vai voltar, esperanças em sonhos que nem sabemos mesmo se queremos sonhar, amarguras, choros escondidos no meio do dia...

Uma hora a gente precisa parar tudo, e escolher o que fica e o que vai. Mas tem que jogar fora sem dó, porque assim como aquela caixinha fofa - mas totalmente inútil - que você ganhou de presente e não lembra nem de quem, algumas coisas em nossa vida também parecem fofas, mas são apenas inúteis. Ou então nos apegamos a elas porque representam um momento que foi bom, mas já passou...

Hoje, na verdade, eu não destralhei só minha gaveta; destralhei minha vida também... Enquanto jogava fora papéis, caixas, bilhetes, aproveitei pra jogar fora alguns sentimentos que vinham fazendo com que meus ombros e meu coração ficassem pesados por demais.

Eu sei que a gente acaba esquecendo, e transformando a gaveta - e a vida - num caos novamente. Aí é hora de parar um pouquinho, pensar um pouquinho, e fazer aquela faxina. Porque não dá pra colocar coisas boas em nossa vida, se ela estiver cheia de tranqueiras sem sentido.

E você, quando vai arrumar aquela sua gaveta, hein? ;)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lá vai Maria... [Poemetos]

Lá vai Maria
Sem vestido de chita
Sem colar de latão
Sem batom carmim.

Lá vai Maria
Sem lata que pese nos braços
Sem crias que lhe aumentem as 
entranhas
Sem amor que lhe machuque o peito.

Lá vai Maria
Sem o nó na garganta
Sem a pressa do asfalto
Sem o café amargo

Lá vai Maria
Sem tristeza que chora
Sem saudade que sorri
Sem paixão que devora

Lá vai Maria
Sem asas
Sem cores
Sem brilhos

Lá vai Maria...

Patrícia Pirota
2007

domingo, 13 de outubro de 2013

Sonhos...

Tweetconto:

Olhou no calendário e deu adeus àquele mês que, mesmo Primavera, havia lhe trazido mais espinhos que flores. Virou a página. E sorriu.

Patrícia Pirota

Fonte: Macanudo del dia - Liniers

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sobre reencontros...

Hoje, enquanto você lê este post [se é que você o está lendo no dia em que for publicado], meus pés e minha alma estão aportados numa das cidades mais importantes da minha vida. Estou, depois de 3 anos, pisando novamente em Curitiba.

Decidi que me daria de presente de aniversário [31 anos, veja bem, merece mais que umas cervejas, não é?] uma viagem, e foi pra essa cidade linda, que tanto me ensinou, que resolvi voltar.

Me mudei pra Curitiba em 2007. Fiquei até o final de 2009. Voltei em 2010, pra defender a dissertação. Foram 2 anos e meio de vida, aprendizado, mudanças, lágrimas e sorrisos. Foi nessa cidade que minha alma cresceu mais do que nunca. Foi nela que aprendi a ser sozinha. Que aprendi que pra ser grande a gente precisa manter um pouco da criança que um dia fomos. Que a solidão não mata, mas machuca bastante. E que nossa família e nossos amigos são o bem mais precioso que existe nesse mundo.

Foi em Curitiba que passei o maior frio da vida, tanto no corpo quanto na alma. Mas também foi nela que meu coração se acendeu novamente. Foi nessa cidade [que reza a lenda ser tão fria], que me conheci, e pude voltar com o coração e a alma cheios de aprendizados e descobertas...

E hoje, quatro dias antes de voltar pra ela [escrevo esse post na segunda-feira], meu coração espera ansioso pelo reencontro. Quero passear por aqueles malditos paralelepípedos dos quais sinto tanta falta. Olhar os prédios antigos. Sentir o vento frio queimar meu rosto. Entrar na Biblioteca Pública e ficar lá, sentada, imaginando quantas vidas e sonhos já passaram por aquelas estantes. Chorar de emoção ao entrar no MON novamente. Ir ver, mesmo de longe, minha casa antiga, na qual derramei tantas lágrimas e sorri tantos sorrisos. Reencontrar meus amigos queridos. Passear por entre os poemas do Bosque de Portugal. Sentir aquele frio na barriga de entrar na UTFPR. Me afundar numa belo Submarino no Bar do Alemão. Passear pela Boca Maldita. Ouvir um bom rock'n roll no Crossroads...

Quero abraçar a cidade que me abraçou com tanto carinho...

É interessante quando criamos um laço tão forte com algo que, aparentemente, não tem vida. Nossas relações com as prosopopeias desse mundo são como nossas relações com as pessoas... Depois de um tempo sem vê-las, recriamos na imaginação aqueles bons momentos que tivemos juntos. Lembramos da sensação da pele, do tom da voz, do brilho dos olhos...

Um reencontro nunca é só um encontro. É a união de ontem e hoje. Um misto de surpresa e saudade. Um reencontro é a mágica de dois rios que passam, juntos, e se encontram novamente em um outro lugar. Os rios não são mais os mesmos, nós nunca mais seremos os mesmos.

Em um reencontro, nunca sabemos se aqueles olhos, que um dia brilharam como os nossos, continuarão tão cheios de vida. Não sabemos se as palavras sairão da forma como gostaríamos. Não sabemos se aquele vento continuará nos acarinhando a pele. Não sabemos se o abraço será reconfortante ou simplesmente uma atitude automática, em nome dos velhos tempos...

É difícil viver de lembranças, pois nunca teremos a certeza de que aquilo realmente aconteceu ou foi só uma brincadeira que o tempo fez em nossa mente. Em um reencontro, corremos o risco daquela pessoa que um dia fomos não mais existir. E se assim for, todos os bons momentos talvez sejam apagados.

Mas também há a possibilidade de o reencontro confirmar aquelas boas lembranças, e adicionar outras tantas pra coleção de memórias. E é assim que espero que seja meu reencontro com Curitiba. Sei que vai doer, isso vai. Vou chorar sentada no mesmo banco que costumava sentar pra conversar comigo mesma, e reviver cada um daqueles dias nos quais fui outra que hoje já não sou. Vou lembrar de tudo o que passei na cidade fria, e desejar passar tudo de novo.

Hoje eu sou feliz em Campo Grande. Moro com minha família [que é a coisa mais importante da minha vida], tenho por perto alguns dos meus amigos mais queridos e que fazem cada dia meu valer a pena, tenho um emprego bacana...

Mas Campo Grande nunca será Curitiba, assim como eu nunca mais serei aquele menina de 20 e tantos anos descobrindo a vida. Nesse fim de semana descobrirei se a saudades que sinto é da cidade ou de mim mesma. Tenho o forte palpite de que seja dos dois...

Se for o primeiro caso, tudo bem... É só voltar sempre que puder, sempre que o coração apertar de saudades. Se for o segundo, o jeito vai ser ir até o Kauf's, pedir um café gigante, matar a saudade e deixar a lembrança ir embora... Porque agora que eu cheguei aos trinta e poucos, aquela menina de vinte e poucos é só uma página virada no livro da minha vida...

Quanto aos reencontros com as pessoas importantes que passaram por minha vida, seremos diferentes, mas ainda assim seremos nós... Se o que nos uniu foi o que temos de mais importante - a alma -, o reencontro será sempre uma festa. ;)

Um beijo procês!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Start me up #17 [Especial de Aniversário]

Eis que hoje, dez de outubro de 2013, a estrupícia que vos fala completa nada mais, nada menos que 31 anos. Rapaz, vou te contar um coisa, nem vi esse tempo todo passar não, viu! Coisa impressionante essa vida! Numa hora estamos lá, crianças assustadas diante do mundo, na outra, estamos nós, adultos, ainda assustados diante desse mundo.

Mas esse não é um post pra falar sobre meu aniversário, modiquê não gosto muito de falar disso... Ainda mais agora, nessa idade avançada. ;)

'Bora ver o que mais ouvi nessa semana em que minha alma e meu corpo ficaram mais velhos?

1. Clown - Sam Bailey [The X Factor UK 2013]

Sim!!! Eu continuo ouvindo muita coisa dos programas de música. E estou cada dia mais fã da Sam Bailey! E essa música acho que foi um dos melhores achados do ano! Talvez da vida!


2. Clown - Emile Sandé

Então, eu disse que gostei da música, não disse? Essa é a versão original. Linda! Linda! E triste, absurdamente triste... Mas linda!


3. Celia Pavey - Scarborough Fair Canticle [The Voice Australia]

Gente, o que é essa menina?! Perfeição define. Essa é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos! E a versão dela ficou linda...


4. One and Only - Adele

Adele é coisa linda dessa vida! E essa música é tão bonita, mas tão bonita...


5. Make you feel my love - Adele

Olha a diva de novo! Essa música é tão linda e triste, que dá vontade de abraçá-la, como se fosse uma pessoa. E chorar, quietinha, debaixo do cobertor...


E essa foi minha playlist dessa semana. Triste, mas linda. Porque, assim como o Mestre Vinícius, eu também acho a tristeza bonita, ao menos quando ela vira arte.

Um beijo procês todos!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Martha Medeiros: doida e santa.

Martha Medeiros é gaúcha de Porto Alegre, e veio fazer parte deste mundo em 1961. Formada em Publicidade e Propaganda, a escritora [Sim, a escritora. faço questão de explicar, pois existe a Martha Medeiros estilista. Cada qual faz suas costuras. Uma costuras os tecidos pra fazer roupas pro corpo, enquanto a outra costura palavras pra fazer roupas pra alma...] começou sua aventura literária fazendo poesia.

E mesmo hoje, escrevendo crônicas e romances, penso que Martha continua fazendo poesia, pois é de poesia que sua prosa é feita. É daquela brincadeira com os sentidos, do olhar diferente e caleidoscópico, da sonoridade dos copos no boteco e dos sussurros ao pé do ouvido, é da lágrima escondida pela folha de jornal prontamente colocada em frente ao rosto.

Pra mim, Martha Medeiros fotografa o mundo com as palavras.

Uma das coisas que mais me atraia nos seus textos é a voz feminina com a qual ela fala. É uma literatura feminina sim, mas não de mulherzinha. Aliás, na primeira crônica do livro Trem Bala, de 2007, "As boazinhas que me perdoem", ela fala sobre essas mulheres "inhas", que são o oposto do que nós - mulheres do final do século XX e do início do século XXI, que conquistamos nosso espaço, nossa voz e nosso direito a não ser "inha" - procuramos ser.

Martha fala da vida cotidiana, mesmo nos romances. Em Divã, de 2002, por exemplo, a personagem Mercedes é o próprio retrato das mulheres que enfrentaram casamento, filhos, profissão e se descobrem, de repente, mulheres. E daí que elas não sabem mais desempenhar esse papel de ser a si mesma sem precisar de outro rótulo. Eu adoro a Mercedes, porque ela é porra louca, ela é real. Tão real que acabou virando minissérie, filme e peça de teatro, mostrando a força da personagem e do enredo.

Foi com Divã e depois com Doidas e Santas (livro de crônicas de 2008) que Martha foi lançada pro sucesso, que ela recebeu de braços e sorriso abertos, mas com a calma e a humildade de sempre. E essa personalidade tranquila, mas ao mesmo tempo porra louca, essa coisa meio doida e meio santa é uma das coisas que cativa nos escritos de Martha.

Suas crônicas são retalhos de seu dia a dia, da sua opinião, dos seus gostos e de suas reflexões. E é das crônicas que gosto mais, exatamente por serem esse recorte, esse retalho da vida como ela é ou poderia ser...

Eu conheci - e me apaixonei - por Martha por acaso. Um dia, na fila do supermercado, encontrei um livro dela e foi amor à primeira lida. [Se quiser saber mais sobre essa história, é só ler esse meu post aqui: Livros e uma nova paixão] Já li quase tudo que ela publicou, exceto um ou outro romance que ainda estão na minha wish list [que cresce ad infinitum...]. E em cada coisa nova que leio dela encontro a marca da autora: uma voz feminina sem ser chata, um olhar simples sem ser pobre, uma mistura de saias de Caio e Quintana.

Aliás, foi o próprio senhor Caio Fernando Abreu quem me fez conhecê-la, pois há várias recomendações dele nas capas dos livros da Martha. E já que Caio F. lia e recomendava, por que eu não iria ler também?


Agora vou deixar vocês um pouquinho com ela, pra modo de vocês prosearem... ;)


"Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo." [Felicidade realista, do livro Montanha Russa, p. 54-55]

"Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios. Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela. Quando mando flores, vou junto com o cartão. Já visitei um lugarejo só para sentir impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço." [Quindins na portaria, do livro Montanha Russa, p. 18-19]

E então, se deram bem? Espero que sim, porque acho que todo mundo deveria ler dona Martha Medeiros. Por quê? Porque muitas vezes ela nos lembra de coisas que fazemos questão de esquecer. Porque ela fala de música [ela ama Beatles e Stones!], cinema [ela é apaixonada por Almodóvar e Woody Allen], arte e literatura como se estivesse sentada no boteco tomando um cafezinho. Porque seus textos são como espelhos, que muitas vezes refletem a nós mesmos. E porque é bom pra diabo, uai!

Se você ainda não conhece, sugiro que vá, e logo! Hoje em dia ela tem colunas nos jornais Zero Hora (de Porto Alegre) e O Globo (do Rio de Janeiro). Ela mantinha um blog no site do Zero Hora, o Blog da Martha Medeiros, mas, infelizmente foi encerrado. No entanto, ainda dá pra ler os posts antigos.

Eu tenho uma tag, a Ipsis Literis, na qual vira e mexe eu reproduzo textos dela também. Pra quem gosta de passar o tempo lá no Youtube, pode conferir os vídeos que fiz sobre os livros dela: Martha Medeiros Parte 1 e Martha Medeiros Parte 2.

Mas e você, conhece Martha Medeiros? Fique à vontade pra compartilhar conosco sua história com ela. ;)



Um beijo procês!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Só. [Poemetos]

Tornar-se só
não é o mesmo que ser só,
pois aquele que sabe o que é
faz de si seu próprio dono...

Mas tornar-se...
é uma brincadeira do acaso
é um mergulho no caos
é um pisar em falso na luz.

Como se o vento levasse
todos os ruídos
todos os sentidos
todas as cores
e deixasse apenas o vazio de deus.

Te atiraste ao abismo
e então descobriste o outro.
O outro que sorri e não te vê
o outro que,
antes de caíres no fundo,
era teu todo.

Agora já não vês...
apenas sente o vento bater
em tua porta de nadas
fechada para o tudo do mundo.

Patrícia Pirota
2007

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Metade - Oswaldo Montenegro [Ipsis Literis]

Porque essa é uma das poesias que mais me definem. Porque nessa semana minha alma completa 31 voltas em torno do Sol, e a cada dia que passa eu me vejo mais fragmentada. E porque somos sempre metade, mesmo quando inteiramente sós. ;)


Metade (Osvaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Um beijo procês!

domingo, 6 de outubro de 2013

Chuva...

Tweetconto:
Por um segundo, ela parou pra pensar na quantidade de pessoas que, como ela, estavam com olhos nublados. A chuva reinou infinita.
[Patrícia Pirota]

Fonte: Fábio Moon e Gabriel Bá - 10Pãezinhos

sábado, 5 de outubro de 2013

Semana de MininaMá #4

Tudo bem com você? Como foi sua semana? A minha está aqui, num apanhado de imagens... São poucas, modiquê a semana foi tão corrida [assim como a vida tem sido], que foi difícil parar pra tirar outras fotos que não fossem as dos olhos. ;)




Detalhe da maquiagem de Sábado. Eu uso sempre a mesma maquiagem: delineado [mal feito] + batom vermelho. Minha preguiça de fazer mais do que isso é monstruosa!

Lanchinho super saudável da madrugada de Domingo, voltando da farra de Sábado. Porque dar um susto nas artérias de vez em quando é bom. E deve ter meio quilo de Bacon nesse sanduba! ;)


Mafaldinha desejando uma boa semana pra todo mundo! :)

E minha playlist de domingão. Rock'n roll em várias vertentes.




Detalhe do Look do Dia de Segunda-feira. Vocês sabem que eu ando gostando de tirar fotos dos looks? É bacana pra me conhecer melhor, ver o que fica bem, o que uso mais, o que deveria deixar de usar. Bacana isso, gente!



À esquerda uma citação do sábio Dumblodore. À direita, um comentário bastante desagradável, mas que me fez ver a quantidade de gente que me quer bem nesse mundão da internet. Obrigada, seus lindos!




Pedacinho do post sobre Sêneca, que foi ao ar na quarta-feira. Aliás, às quartas eu estou postando os textos antigos sobre escritores que era do 365 Escritores.

Look de Terça-feira. Normalmente eu uso alguma coisa vermelha na terça, pra homenagear São Jorge, que é meu santo protetor. E essa foi a semana do xadrez, porque usei blusa xadrez segunda, terça e quarta. Acho uma estampa bacana, sabe...


Tatuagem das relíquias da morte que logo logo irá marcar minha pele. Achei linda essa versão, e é a que vou levar pro tatuador.

Macarrons fofos! Primeira vez que comi o tal docinho hit da internet. É gostoso, mas... não sei se é o que eu comi ou nem é essa coca-cola toda... Mas é gostoso.


Look pra sair na sexta-feira e brindar mais uma semana.

Cordéis incríveis que recebi de presente do querido Fabrício Machado, direto do Ceará! Coisa linda esse carinho!


Camiseta do meu querido amigo, Sr. Diego. Sensacional essa frase, não acham?

Detalhe do look de sexta-feira. O batom é o Impassioned, da MAC. Estou perdidamente apaixonada por ele!


Livro lindo do Will Eisner, que chegou da minha parceira mais do que linda, Companhia das Letras.

Outro detalhe do look de sexta, dessa vez com os acessórios. Gente, como um colar faz diferença, hein!


E foi isso, minha gente! Semana corrida, fechamento de bimestre. 'Sas coisas da vida...

Espero que a semana de vocês tenha sido ótima!

Um beijão!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sobre sapatos... e pessoas.

Hoje eu usei um sapato lindo, daqueles do tipo amor à primeira vista, pelo qual ficamos loucas logo que batemos o olho. Só que ele não gosta muito de mim. Sempre que uso [praticamente uma vez por semana], ele insiste em machucar meu pé. Não é um machucado muito dolorido; está mais praquela dorzinha encardida, mas que cansa, sabe? E ainda assim, eu gosto tanto dele, que continuo insistindo em usá-lo...

Daí que fiquei pensando na quantidade de sapatos que tenho, e em como alguns insistem em não se dar bem com meu pé. Também me lembrei de uns que nem são meus preferidos, e que só uso quando não tem outra coisa pra calçar, mas sempre que calço servem como uma luva, e ainda por cima recebem elogios.

Muitos de nossos sapatos, no início, machucaram. Foi difícil até se moldarem ao nosso pé, ou até nosso pé se moldar a eles... Foi preciso aguentar firme por dias e dias, até que eles se tornassem quase perfeitos um pro outro.

Outros, no entanto, servem perfeitamente já no primeiro dia. São lindos! E ainda prometem ser um sucesso. Mas umas semanas depois, lá estão eles, com a sola gasta, os enfeites caindo, o brilho apagando. Era tudo promessa, e só.

Alguns dos meus sapatos vivem na caixa. Comprei porque parecia uma boa ideia. Na verdade, esses são, geralmente, comprados por impulso. Devem ter saído uma vez, no máximo duas, pra ver a luz fora da caixa. E ainda assim não consigo me desapegar deles. Mesmo sabendo que não me servem, que incomodam, que vão me machucar... Mesmo sabendo de tudo isso, não consigo passar pra frente.

Há ainda aqueles sapatos baratinhos, que compramos "pra bater", e que usamos até não dar mais, pra depois jogar fora numa sacola de lixo qualquer. Foi bom enquanto durou. E acabou.

No fundo, acho que não estava pensando só em sapatos...

Quantas pessoas entram em nossa vida como uma promessa de sucesso, e acabam, pouco tempo depois, sendo a maior decepção da paróquia? E quantas outras chegam, ficam por um tempo, e vão embora sem nem deixar saudade? E aquelas que, mesmo nos fazendo mal, continuam ao nosso lado porque deixamos?

Bom mesmo é quando, mesmo depois da briga inicial, do estranhamento, de tantas e tantas conversas pra aparar as arestas, encontramos alguém que é do nosso número, e que não machuca nosso mindinho, sempre tão calejado pelas quinas da vida...

Bom mesmo é poder ter alguém pra chamar a qualquer hora, com a certeza de que aquela pessoa vai salvar o seu dia, ou ao menos não vai lhe causar uma ferida.

Eu bem sei que sapatos são objetos inanimados, mas quantas pessoas também não se fazem objeto? Aliás, quantas vezes não transformamos nossa própria vida em um objeto?

Nossos pés são a parte que nos sustenta e que nos leva pros lugares onde a alma quer estar. Nossos sapatos são a proteção do nosso caminho.

Nossa alma é a parte que sustenta nosso edifício [ou seriam nossos defeitos, como o queria Clarice?]. Nossos relacionamentos são aquilo que fazem com que esse edifício continue bonito e forte, ou desmorone.

Quanto a você [e eu], escolha seus sapatos com mais cuidado. E desapegue daqueles que - sim, eu sei, são lindos! - não lhe fazem bem. Assim, sobra mais espaço praquilo que realmente vale a pena.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Start me up #16

Quem me acompanha no Twitter ou no Facebook já sabe de antemão o que vai rolar nesse Start me up, não é? Porque essa semana eu só escutei os famosos "Programas de Calouros" do mundo. The X Factor, Idols, The Voice... Sou viciada nesse tipo de programa [minha frustração em não ter seguido carreira de cantora explica. Nem carece Freud explicar...]!

Então, trouxe aqui procês os cinco melhores vídeos que assisti/ouvi nessa semana que parece que começou ontem, e já acaba amanhã...

1. Anna Weatherup And Celia Pavey - A Thousand Years - The Voice Australia Season 2

Olha, eu não sei o que esse povo da Austrália bebe, mas, pontequepartiu!, que gente bonita e que canta bem! Essa Celia Pavey me faz ter vergonha de olhar no espelho, de tão absurdamente linda [recomendo fortemente ouvir os outros vídeos dela!]! E essa versão que elas fizeram da música "A thousand years" ficou ainda melhor que a original!


2. The Voice UK 2013 - Mike Ward - 'Don't Close Your Eyes'

Pois então... Eu escutei country [foi só essa, eu juro!], mas vejam, eu escutaria o Mike Ward cantando até Funk das Poderosas, meu bem! Ele é lindo! A voz dele é linda! E... [suspiros]


3. The X Factor UK 2013 - Sam Bailey sings Listen [Beyonce] - Room Auditions

Eu perdi as contas de quantas vezes ouvi essa audição. É linda! A simplicidade e a beleza com as quais ela canta são comoventes. E vale a pena ver a conversa dela com o júri, viu. Se não quiser, a música começa aos 2 minutos.


4. The X Factor USA 2013 - Alex & Sierra - Sultry Cover of Britney Spears' "Toxic"

Esse casal é o mais fofo de todos os tempos!!! E essa versão que eles fizeram: delícia! Muito mesmo!
A música começa aos 2 minutos, mas vale a pena ver a conversa.


5. The X Factor UK 2013 - The Tenors of Rock- Sweet prayer of mine [Sweet child o'mine + Living on a prayer]

Só tenho uma coisa pra dizer sobre esses caras: SENSACIONAL! Fiquei apaixonada! Pelas vozes, pela ideia, por tudo!!!



E é isso... Espero que tenham gostado.

E você, o que andou escutando durante essa semana em que o mês mais lindo do ano se iniciou? ;)

Beijo procês!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sêneca, ou o filósofo da minha vida.

Morte de Sêneca - Peter Paul Rubens
Fonte: Uol
Lúcio Anneo Sêneca [Sêneca, o Jovem ou o Moço, pois seu pai, grande orador, era chamado de Sêneca, o Velho] nasceu em Córdoba, Espanha, no ano 4 A.C. e morreu em Roma, em 65 D.C. Sêneca era advogado, e sua competência e grande conhecimento de Oratória e Retórica o levaram a fazer parte do Senado Romano.

Sim, eu sei, você está querendo saber o que diabos [e por que demônios] eu trouxe um cara que, além de ter escrito sobre Filosofia, morreu a long, long time ago. E eu lhe peço: dá cá a mão e confie em mim! Se Sêneca não fizer você se apaixonar como fez comigo, me dou por vencida e deixo você ir embora.

Mas antes, que tal saber um pouco mais sobre o seu Moço?

Por ser um homem honesto e competente, Sêneca logo passou a despertar a inveja dos coleguinhas, e Calígula, um dos mais encardidos do Império Romano, fez a cortesia de desterrar Sêneca para Córsega, sob acusação de adultério.

Imagino que tenha sido durante essa época que Sêneca desenvolveu suas teorias sobre o estoicismo, além de ter se dedicado também ao epicurismo. Essa dualidade Estoicismo/Epicurismo é bastante pronunciada nos textos de Sêneca, o que confere a eles uma brisa leve de frescor perto das tantas antigas teorias que se propunham verdades universais.

Depois de um tempo, Sêneca voltou para Roma a pedido do Imperador Cláudio, para ser pretor de seu filho com Agripina. E quem é esse filho? Quem? O mais olho junto da história de Roma: Nero. Sim, aquele mesmo que botou fogo em tudo depois de se entediar com a brincadeira. E que quis matar a própria mãe, pra ver o quão coração gelado era o cidadão.

Pois muito bem, coube a Sêneca a missão de tentar enfiar alguma coisa que prestasse na cabeça daquela criatura do inferno, mas, infelizmente, mesmo com toda a sua sabedoria, Sêneca não deu conta de converter o tranqueira do Nero.

Ao acusar Sêneca de ter participado da Conjuração de Pisão, Nero ordenou que ele se suicidasse. Sobre isso, vou compartilhar um trecho do texto introdutório das edições das obras de Sêneca publicadas pela Editora L&PM.

"[...] Sêneca recebeu de Nero a ordem de suicidar-se, que executou com o mesmo ânimo sereno que pregava em sua filosofia. Conta-se que sua morte foi uma lenta agonia. Abriu as veias do braço, mas o sangue correu muito lentamente; assim, cortou as veias das pernas. Porém, como a morte demorava, pediu a seu médico que lhe desse uma dose de veneno. Como este não surtiu efeito, enquanto ditava um texto a um dos discípulos, tomava banho quente para ampliar o sangramento. Por fim, fez com que o transportassem para um banho a vapor e, ali, morreu sufocado." [p. 9]

Pois é... O homem foi praticamente um santo até na hora de morrer. E sua obra reflete essa serenidade, essa busca pela harmonia entre viver e ser feliz.

E então você me pergunta como foi que eu comecei meu flerte com este senhor...

Ano passado, eu estava passeando lado a lado com uma daquelas tristezas que nos acompanham debaixo de sol e chuva, sabe? Ela estava lá, me deixando casmurra e cinzenta, quando me deparei com o título "Aprendendo a viver". Pensei comigo: Mal não vai fazer, afinal de contas, é Filosofia. O máximo que pode acontecer é eu resolver tomar sicuta. E foi então que este traquininhas estoico mudou minha vida.

A cada linha que eu lia de Sêneca, parecia que eu estava saindo de um sono eterno de ignorância sobre mim mesma. E então, como uma viciada, eu queria mais e mais... Li três livros dele, um atrás do outro, e então pude sentir o gostinho do bem estar bem comigo mesma.

É isso mesmo, filhote! Que Auto Ajuda que nada! Vá ler filosofia! Especialmente uma Filosofia como essa, em que o autor não quer mostrar quantos milhões de livros da Biblioteca de Alexandria ele leu, mas tão somente compartilhar com seu leitor aquilo que descobriu durante seu caminho pelos espinhos da vida.

Ler Sêneca é como se encarar no espelho e ouvir o Capitão Nascimento berrando no seu ouvido: "Pede pra sair! Pede pra sair!". Porque é como se ele nos colocasse nus diante de nossos defeitos, medos e dúvidas, e nos fizesse ver que os únicos capazes de mudar tudo ao nosso redor somos nós mesmos.

É, responsabilidade dói... É pesado isso de sermos responsáveis por nós. É difícil não poder colocar a culpa em ninguém, nem atribuir a um deus, um elfo [não os domésticos, porque eles são fofos e queridos!], um gnomo ou qualquer outra entidade à qual damos o leme de nossas vidas.

Eu fiquei tão empolgada com a leitura de Sêneca, que saí falando dele aos quatro ventos. Fiz vídeo [Sêneca - Leituras de MininaMá], milhares de posts, tweets... Enfim, eu queria mesmo que Sêneca ganhasse o mundo, porque seria o mundo que sairia ganhando com Sêneca.

Quanto a você, querido leitor, peço que leia os excertos abaixo, retirados do livro Aprendendo a Viver [L&PM, 2012], e depois me diga se vale ou não vale a pena sair pelos campos elísios imaginários sendo discípulo do Jovem que morreu assim como viveu: aprendendo - serenamente - a existir.

"Interroga a ti mesmo, pressupondo que um deus te permita escolher se preferes viver em um mercado ou em um acampamento. Viver, Lucílio, é ser soldado. É por isso que aqueles que se arriscam em missões mais perigosas, através de penhascos e desfiladeiros, são os mais valentes, a elite da tropa. Já aqueles que se ocupam apenas com leves tarefas, enquanto os outros dão o máximo de si, esses não passam e mocinhos delicados, no abrigo, mas sem honras. Passa bem!" [p. 98]

"Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte." [p. 15]

E eu poderia passar horas e horas citando Sêneca, mas prefiro que você se aventure a encontrá-lo. Leve consigo apenas um pouco de humildade, pois quando achamos que sabemos tudo, não nos preocupamos em aprender mais nada. ;)

E você, já leu Sêneca? Compartilha com a gente!

Um beijo procês!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Canção [Poemetos]

Quero compor uma canção
com palavras estagnadas
sem sentido
sublimadas pelas horas
de desassossego das manhãs

Canção escura
com vogais nuas
rimas cruas
sons de silêncio e cor

Música de uma nota só
que se complete
e se encerre 
em si

Estrela de brilho apagado
criança de mãos sujas
suspiro de borboleta

Quero uma canção morna
que é pra modo de renovar
os ouvidos do coração.

Patrícia Pirota
2006
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