segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A gaveta e a vida.

Todo mundo tem uma gaveta, não importa o tamanho, que é o samba do crioulo doido. Pode ser do guarda-roupa, da cômoda, da estante, do armário da cozinha. Não importa em qual cômodo ela esteja, o fato é que todos temos uma gaveta na qual jogamos coisas diversas e, com, o passar do tempo, ela se torna o caos.

Eu tenho - ou tinha - uma gaveta assim no meu guarda-roupa. No início, separei-a pra guardar cosméticos fechados e coisas relacionadas aos eletrônicos [cabos, carregadores e afins]. Daí, um belo dia, passei a colocar ali também alguns papéis. Pronto!

Chegava com alguma sacola e jogava lá. Foram sendo misturados remédios, embalagens vazias de cosméticos, barras de cereais, contas pagas, fones de ouvido. Uma verdadeira Babel das tranqueiras. E eu sempre que a abria prometia que no próximo fim de semana ela seria arrumada.

Acho que já fazia um ano que essa promessa de arrumação vinha se arrastando, até hoje, um Domingo lindo de Sol, em que aproveitei a mente bagunçada e o corpo elétrico pra sentar e arrumar a tal gaveta.

Saldo: três sacolas cheias de coisas jogadas no lixo. E fiquei com uma gaveta meio vazia. O que sobrou, organizei por setores, e pronto, acabou o caos da tal gaveta de Babel.

Daí fiquei pensando que também a vida era como essa gaveta. Quando menos percebemos, lá estamos entulhando nossa vida de relacionamentos vazios, atitudes descartáveis, pessoas que não cabem no nosso cotidiano.

Entulhamos nossa vida com medos desnecessários, sorrisos amarelos, apertos de mão fracos e abraços desonestos.

Enchemos nossa vida com ilusões perdidas, expectativas vãs, saudades de algo que nunca mais vai voltar, esperanças em sonhos que nem sabemos mesmo se queremos sonhar, amarguras, choros escondidos no meio do dia...

Uma hora a gente precisa parar tudo, e escolher o que fica e o que vai. Mas tem que jogar fora sem dó, porque assim como aquela caixinha fofa - mas totalmente inútil - que você ganhou de presente e não lembra nem de quem, algumas coisas em nossa vida também parecem fofas, mas são apenas inúteis. Ou então nos apegamos a elas porque representam um momento que foi bom, mas já passou...

Hoje, na verdade, eu não destralhei só minha gaveta; destralhei minha vida também... Enquanto jogava fora papéis, caixas, bilhetes, aproveitei pra jogar fora alguns sentimentos que vinham fazendo com que meus ombros e meu coração ficassem pesados por demais.

Eu sei que a gente acaba esquecendo, e transformando a gaveta - e a vida - num caos novamente. Aí é hora de parar um pouquinho, pensar um pouquinho, e fazer aquela faxina. Porque não dá pra colocar coisas boas em nossa vida, se ela estiver cheia de tranqueiras sem sentido.

E você, quando vai arrumar aquela sua gaveta, hein? ;)

2 comentários:

  1. Um detalhe: as vezes, assim como essa gaveta, a gente só precisava de um tempo pra sentar e arrumar. Coisa boba. A gente poderia fazer em qualquer dia. Era uma coisa bobinha, mas sempre houve aquilo que nos atrapalhava ( no caso automático da metáfora, a preguiça rsrsrs). Pode ser mais fácil do que imaginamos..

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  2. Excelente texto Patty... parabéns. Estou me sentindo assim exatamente agora, com aquela gaveta cheia e o coração mais pesado ainda... é hora de parar e arrumar!!! Obrigada pela indireta ajuda!!! bjinhos...

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