quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Martha Medeiros: doida e santa.

Martha Medeiros é gaúcha de Porto Alegre, e veio fazer parte deste mundo em 1961. Formada em Publicidade e Propaganda, a escritora [Sim, a escritora. faço questão de explicar, pois existe a Martha Medeiros estilista. Cada qual faz suas costuras. Uma costuras os tecidos pra fazer roupas pro corpo, enquanto a outra costura palavras pra fazer roupas pra alma...] começou sua aventura literária fazendo poesia.

E mesmo hoje, escrevendo crônicas e romances, penso que Martha continua fazendo poesia, pois é de poesia que sua prosa é feita. É daquela brincadeira com os sentidos, do olhar diferente e caleidoscópico, da sonoridade dos copos no boteco e dos sussurros ao pé do ouvido, é da lágrima escondida pela folha de jornal prontamente colocada em frente ao rosto.

Pra mim, Martha Medeiros fotografa o mundo com as palavras.

Uma das coisas que mais me atraia nos seus textos é a voz feminina com a qual ela fala. É uma literatura feminina sim, mas não de mulherzinha. Aliás, na primeira crônica do livro Trem Bala, de 2007, "As boazinhas que me perdoem", ela fala sobre essas mulheres "inhas", que são o oposto do que nós - mulheres do final do século XX e do início do século XXI, que conquistamos nosso espaço, nossa voz e nosso direito a não ser "inha" - procuramos ser.

Martha fala da vida cotidiana, mesmo nos romances. Em Divã, de 2002, por exemplo, a personagem Mercedes é o próprio retrato das mulheres que enfrentaram casamento, filhos, profissão e se descobrem, de repente, mulheres. E daí que elas não sabem mais desempenhar esse papel de ser a si mesma sem precisar de outro rótulo. Eu adoro a Mercedes, porque ela é porra louca, ela é real. Tão real que acabou virando minissérie, filme e peça de teatro, mostrando a força da personagem e do enredo.

Foi com Divã e depois com Doidas e Santas (livro de crônicas de 2008) que Martha foi lançada pro sucesso, que ela recebeu de braços e sorriso abertos, mas com a calma e a humildade de sempre. E essa personalidade tranquila, mas ao mesmo tempo porra louca, essa coisa meio doida e meio santa é uma das coisas que cativa nos escritos de Martha.

Suas crônicas são retalhos de seu dia a dia, da sua opinião, dos seus gostos e de suas reflexões. E é das crônicas que gosto mais, exatamente por serem esse recorte, esse retalho da vida como ela é ou poderia ser...

Eu conheci - e me apaixonei - por Martha por acaso. Um dia, na fila do supermercado, encontrei um livro dela e foi amor à primeira lida. [Se quiser saber mais sobre essa história, é só ler esse meu post aqui: Livros e uma nova paixão] Já li quase tudo que ela publicou, exceto um ou outro romance que ainda estão na minha wish list [que cresce ad infinitum...]. E em cada coisa nova que leio dela encontro a marca da autora: uma voz feminina sem ser chata, um olhar simples sem ser pobre, uma mistura de saias de Caio e Quintana.

Aliás, foi o próprio senhor Caio Fernando Abreu quem me fez conhecê-la, pois há várias recomendações dele nas capas dos livros da Martha. E já que Caio F. lia e recomendava, por que eu não iria ler também?


Agora vou deixar vocês um pouquinho com ela, pra modo de vocês prosearem... ;)


"Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo." [Felicidade realista, do livro Montanha Russa, p. 54-55]

"Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios. Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela. Quando mando flores, vou junto com o cartão. Já visitei um lugarejo só para sentir impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço." [Quindins na portaria, do livro Montanha Russa, p. 18-19]

E então, se deram bem? Espero que sim, porque acho que todo mundo deveria ler dona Martha Medeiros. Por quê? Porque muitas vezes ela nos lembra de coisas que fazemos questão de esquecer. Porque ela fala de música [ela ama Beatles e Stones!], cinema [ela é apaixonada por Almodóvar e Woody Allen], arte e literatura como se estivesse sentada no boteco tomando um cafezinho. Porque seus textos são como espelhos, que muitas vezes refletem a nós mesmos. E porque é bom pra diabo, uai!

Se você ainda não conhece, sugiro que vá, e logo! Hoje em dia ela tem colunas nos jornais Zero Hora (de Porto Alegre) e O Globo (do Rio de Janeiro). Ela mantinha um blog no site do Zero Hora, o Blog da Martha Medeiros, mas, infelizmente foi encerrado. No entanto, ainda dá pra ler os posts antigos.

Eu tenho uma tag, a Ipsis Literis, na qual vira e mexe eu reproduzo textos dela também. Pra quem gosta de passar o tempo lá no Youtube, pode conferir os vídeos que fiz sobre os livros dela: Martha Medeiros Parte 1 e Martha Medeiros Parte 2.

Mas e você, conhece Martha Medeiros? Fique à vontade pra compartilhar conosco sua história com ela. ;)



Um beijo procês!

4 comentários:

  1. Eu simplesmente adoro a forma como ela escreve. Deixa aquela sensação de familiaridade.
    Beijos.

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  2. Eu conheci através do caderno donna do jornal ZH aqui do Rio Grande do Sul.
    Adoro os textos dela, e os seus também....
    Um abração

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  3. Ah parece q ela fala com o leitor Me identiquei muiiiiito com o trecho da felicidade clandestina,to nesse momento de curtie aas coisas siimples sem ficar me cobrando tanto.Eu adorei o modo como vc apresentou a Martha,muito bom!Fica aqui essa mensagem como uma forma de abraço :)

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  4. Ah parece q ela fala com o leitor Me identiquei muiiiiito com o trecho da felicidade clandestina,to nesse momento de curtie aas coisas siimples sem ficar me cobrando tanto.Eu adorei o modo como vc apresentou a Martha,muito bom!Fica aqui essa mensagem como uma forma de abraço :)

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