sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sobre reencontros...

Hoje, enquanto você lê este post [se é que você o está lendo no dia em que for publicado], meus pés e minha alma estão aportados numa das cidades mais importantes da minha vida. Estou, depois de 3 anos, pisando novamente em Curitiba.

Decidi que me daria de presente de aniversário [31 anos, veja bem, merece mais que umas cervejas, não é?] uma viagem, e foi pra essa cidade linda, que tanto me ensinou, que resolvi voltar.

Me mudei pra Curitiba em 2007. Fiquei até o final de 2009. Voltei em 2010, pra defender a dissertação. Foram 2 anos e meio de vida, aprendizado, mudanças, lágrimas e sorrisos. Foi nessa cidade que minha alma cresceu mais do que nunca. Foi nela que aprendi a ser sozinha. Que aprendi que pra ser grande a gente precisa manter um pouco da criança que um dia fomos. Que a solidão não mata, mas machuca bastante. E que nossa família e nossos amigos são o bem mais precioso que existe nesse mundo.

Foi em Curitiba que passei o maior frio da vida, tanto no corpo quanto na alma. Mas também foi nela que meu coração se acendeu novamente. Foi nessa cidade [que reza a lenda ser tão fria], que me conheci, e pude voltar com o coração e a alma cheios de aprendizados e descobertas...

E hoje, quatro dias antes de voltar pra ela [escrevo esse post na segunda-feira], meu coração espera ansioso pelo reencontro. Quero passear por aqueles malditos paralelepípedos dos quais sinto tanta falta. Olhar os prédios antigos. Sentir o vento frio queimar meu rosto. Entrar na Biblioteca Pública e ficar lá, sentada, imaginando quantas vidas e sonhos já passaram por aquelas estantes. Chorar de emoção ao entrar no MON novamente. Ir ver, mesmo de longe, minha casa antiga, na qual derramei tantas lágrimas e sorri tantos sorrisos. Reencontrar meus amigos queridos. Passear por entre os poemas do Bosque de Portugal. Sentir aquele frio na barriga de entrar na UTFPR. Me afundar numa belo Submarino no Bar do Alemão. Passear pela Boca Maldita. Ouvir um bom rock'n roll no Crossroads...

Quero abraçar a cidade que me abraçou com tanto carinho...

É interessante quando criamos um laço tão forte com algo que, aparentemente, não tem vida. Nossas relações com as prosopopeias desse mundo são como nossas relações com as pessoas... Depois de um tempo sem vê-las, recriamos na imaginação aqueles bons momentos que tivemos juntos. Lembramos da sensação da pele, do tom da voz, do brilho dos olhos...

Um reencontro nunca é só um encontro. É a união de ontem e hoje. Um misto de surpresa e saudade. Um reencontro é a mágica de dois rios que passam, juntos, e se encontram novamente em um outro lugar. Os rios não são mais os mesmos, nós nunca mais seremos os mesmos.

Em um reencontro, nunca sabemos se aqueles olhos, que um dia brilharam como os nossos, continuarão tão cheios de vida. Não sabemos se as palavras sairão da forma como gostaríamos. Não sabemos se aquele vento continuará nos acarinhando a pele. Não sabemos se o abraço será reconfortante ou simplesmente uma atitude automática, em nome dos velhos tempos...

É difícil viver de lembranças, pois nunca teremos a certeza de que aquilo realmente aconteceu ou foi só uma brincadeira que o tempo fez em nossa mente. Em um reencontro, corremos o risco daquela pessoa que um dia fomos não mais existir. E se assim for, todos os bons momentos talvez sejam apagados.

Mas também há a possibilidade de o reencontro confirmar aquelas boas lembranças, e adicionar outras tantas pra coleção de memórias. E é assim que espero que seja meu reencontro com Curitiba. Sei que vai doer, isso vai. Vou chorar sentada no mesmo banco que costumava sentar pra conversar comigo mesma, e reviver cada um daqueles dias nos quais fui outra que hoje já não sou. Vou lembrar de tudo o que passei na cidade fria, e desejar passar tudo de novo.

Hoje eu sou feliz em Campo Grande. Moro com minha família [que é a coisa mais importante da minha vida], tenho por perto alguns dos meus amigos mais queridos e que fazem cada dia meu valer a pena, tenho um emprego bacana...

Mas Campo Grande nunca será Curitiba, assim como eu nunca mais serei aquele menina de 20 e tantos anos descobrindo a vida. Nesse fim de semana descobrirei se a saudades que sinto é da cidade ou de mim mesma. Tenho o forte palpite de que seja dos dois...

Se for o primeiro caso, tudo bem... É só voltar sempre que puder, sempre que o coração apertar de saudades. Se for o segundo, o jeito vai ser ir até o Kauf's, pedir um café gigante, matar a saudade e deixar a lembrança ir embora... Porque agora que eu cheguei aos trinta e poucos, aquela menina de vinte e poucos é só uma página virada no livro da minha vida...

Quanto aos reencontros com as pessoas importantes que passaram por minha vida, seremos diferentes, mas ainda assim seremos nós... Se o que nos uniu foi o que temos de mais importante - a alma -, o reencontro será sempre uma festa. ;)

Um beijo procês!

3 comentários:

  1. Curitiba é demais!!
    Lindo texto :)

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  2. Que lindo! Minha filha está passando por isso nesse momento, teve que abandonar uma cidade que gostava tanto! Vc com certeza conseguiu superar e cresceu! Boa Sorte!

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  3. Que lindo! que lindo! que lindo!! Me emocionei....Que homenagem linda a Curitiba e a ti mesma.... Sabes aqueles textos em que te perguntas: Porque eu ñ escrevi isto? é este....adorei...Obrigada por compartilhar.Bjs.

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