sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sobre sapatos... e pessoas.

Hoje eu usei um sapato lindo, daqueles do tipo amor à primeira vista, pelo qual ficamos loucas logo que batemos o olho. Só que ele não gosta muito de mim. Sempre que uso [praticamente uma vez por semana], ele insiste em machucar meu pé. Não é um machucado muito dolorido; está mais praquela dorzinha encardida, mas que cansa, sabe? E ainda assim, eu gosto tanto dele, que continuo insistindo em usá-lo...

Daí que fiquei pensando na quantidade de sapatos que tenho, e em como alguns insistem em não se dar bem com meu pé. Também me lembrei de uns que nem são meus preferidos, e que só uso quando não tem outra coisa pra calçar, mas sempre que calço servem como uma luva, e ainda por cima recebem elogios.

Muitos de nossos sapatos, no início, machucaram. Foi difícil até se moldarem ao nosso pé, ou até nosso pé se moldar a eles... Foi preciso aguentar firme por dias e dias, até que eles se tornassem quase perfeitos um pro outro.

Outros, no entanto, servem perfeitamente já no primeiro dia. São lindos! E ainda prometem ser um sucesso. Mas umas semanas depois, lá estão eles, com a sola gasta, os enfeites caindo, o brilho apagando. Era tudo promessa, e só.

Alguns dos meus sapatos vivem na caixa. Comprei porque parecia uma boa ideia. Na verdade, esses são, geralmente, comprados por impulso. Devem ter saído uma vez, no máximo duas, pra ver a luz fora da caixa. E ainda assim não consigo me desapegar deles. Mesmo sabendo que não me servem, que incomodam, que vão me machucar... Mesmo sabendo de tudo isso, não consigo passar pra frente.

Há ainda aqueles sapatos baratinhos, que compramos "pra bater", e que usamos até não dar mais, pra depois jogar fora numa sacola de lixo qualquer. Foi bom enquanto durou. E acabou.

No fundo, acho que não estava pensando só em sapatos...

Quantas pessoas entram em nossa vida como uma promessa de sucesso, e acabam, pouco tempo depois, sendo a maior decepção da paróquia? E quantas outras chegam, ficam por um tempo, e vão embora sem nem deixar saudade? E aquelas que, mesmo nos fazendo mal, continuam ao nosso lado porque deixamos?

Bom mesmo é quando, mesmo depois da briga inicial, do estranhamento, de tantas e tantas conversas pra aparar as arestas, encontramos alguém que é do nosso número, e que não machuca nosso mindinho, sempre tão calejado pelas quinas da vida...

Bom mesmo é poder ter alguém pra chamar a qualquer hora, com a certeza de que aquela pessoa vai salvar o seu dia, ou ao menos não vai lhe causar uma ferida.

Eu bem sei que sapatos são objetos inanimados, mas quantas pessoas também não se fazem objeto? Aliás, quantas vezes não transformamos nossa própria vida em um objeto?

Nossos pés são a parte que nos sustenta e que nos leva pros lugares onde a alma quer estar. Nossos sapatos são a proteção do nosso caminho.

Nossa alma é a parte que sustenta nosso edifício [ou seriam nossos defeitos, como o queria Clarice?]. Nossos relacionamentos são aquilo que fazem com que esse edifício continue bonito e forte, ou desmorone.

Quanto a você [e eu], escolha seus sapatos com mais cuidado. E desapegue daqueles que - sim, eu sei, são lindos! - não lhe fazem bem. Assim, sobra mais espaço praquilo que realmente vale a pena.

3 comentários:

  1. Sabe o que eu queria ser? Sapateiro! Eu não me entristeceria se eu não fosse um bom sapato, mas sim se eu não os fizesse com qualidade, se ele não fizesse de seus pés os mais confortáveis do mundo! E eu não precisaria calçar meus sapatos para ficar bem. Pois eu já estaria, na verdade :)

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