terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma nova casinha...

Meus queridos,

Como havia avisado nas minhas demais redes sociais, hoje começo uma nova etapa na minha vida virtual. O Ainda MininaMá irá ficar para o meu baú de histórias, e vou começar uma nova fase em uma nova casinha.

Vocês estão todos convidados a acompanharem os novos passos desta estrupícia lá no Patrícia Pirota, que agora é até .com.br, menino!

Peço, por favor, que atualizem seus feeds, e que me deem a mão nessa nova caminhada.

Esse blog ficará com os posts fechados, e eu vou, pouco a pouco, colocando os textos daqui lá no muquifo novo.

Muitíssimo obrigada pela companhia nesses 7 anos de Ainda MininaMá!

E ó, 'bora lá comigo:


Um beijo procês todos!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Terapia da professora #2

[PS: Leia ouvindo "O caderno", de Toquinho. Mas não se esqueça dos lencinhos. ;) ]

"Recorde-se dos professores que influenciaram sua vida para o bem. O que fizeram? Como lhe proporcionaram o necessário? Siga-lhes o exemplo."

Minha primeira professora foi minha mãe, dona Maria Rosa. Ela foi a primeira a me mostrar o encanto das letras e dos textos. Lia por horas, incansável, meus livrinhos de histórias da Disney. Pegava na minha mão e me guiava [o que faz até hoje, inclusive] pela folha, me mostrando que eu também podia fazer magia e do lápis fazer brotarem palavras. Graças à Dona Maria, aos quatro anos, consegui enfim formar as primeiras palavras [escritas de trás pra frente, ao contrário; mas e não é a vida toda ao contrário?], e dei os primeiros passos na alfabetização.

Aos seis anos entrei para a escola. Fui obrigada a entrar direto na primeira série [por já ter iniciado a alfabetização e por ser muito maior que as demais crianças, por incrível que pareça!] e pulei o tal do prezinho... E lá, naquela escola nos cafundós do mundo, conheci a que seria a terceira mulher mais importante e inspiradora de minha tão curta vida.

Professora Regina tinha um sorriso tão grande, mas tão grande, que parecia que o mundo todo sorria junto com ela. Era amável, carinhosa e paciente. Quando eu tinha dificuldades [e eu as tinha aos montes, porque era míope e ainda não sabia... Era disléxica e também não sabia...], ela sorria e, com uma paciência que não era deste mundo!, me ajudava.

Sua presença sempre tão querida me ajudou a superar meus problemas. Lembro-me como se fosse hoje quando meu primeiro caderninho, tão charmosamente decorado por minha mãe, acabou. Nós não tínhamos condições de comprar outro. Pode parecer pouco, um caderno, mas eu não tinha sequer sapatos, a não ser um chinelinho verde; assim, um caderno era demais pra nossa família.

Naquele dia, em que eu escrevi na última linha, da última folha de meu caderno, eu me senti envergonhada por não ser como meus colegas e poder comprar outro caderno cheio de bonitas figuras. Professora Regina pegou folhas sulfites, dobrou-as delicadamente, fez uma capa bem bonita, me entregou e disse: Pronto! Agora você tem um caderno que ninguém mais tem, feito com muito carinho.

Já se passaram 25 anos desse episódio, e ainda hoje eu me lembro do quanto eu me sentia bem perto da minha "Professora Helena". Carrossel estreava exatamente naquele ano, e eu me sentia tão feliz de ter uma professora Helena só pra mim, que me ajudou a passar por um dos períodos mais tristes da minha vida...

Na sétima série, conheci Antônia, professora de Português e responsável por eu aprender as Orações Subordinadas, a desenhar, a pintar, a escrever poesia e a prestar vestibular para Letras. Os olhos dela sorriam seja quando declamava Vinícius ou quando conjugava verbos defectivos. Ela nos incentivava a ler, a escrever nossas próprias palavras, a termos nossas próprias ideias.

Professora Antônia foi meu Mr. Keating da vida real... E foi ali, assistindo a uma aula dela, que resolvi que meu objetivo de vida seria, um dia, poder inspirar alguém como ela me inspirava. Se hoje eu escrevo e leio tanto, em grande parte devo a esta mulher que, de tão apaixonada pelo que fazia, transmitiu seu amor pelas Letras para mim.

Se nos meus primeiros anos, minha grande influência foram as professoras, na adolescência foi a vez dos professores marcarem pra sempre meu jeito de ser...

Primeiro veio o Zé Carlos [com quem depois tive o prazer de trabalhar; ele como meu diretor], professor de História, que me abriu os olhos e os ouvidos pra Filosofia. Em suas aulas eu aprendi não só os fatos, mas a pensar e ter minha própria opinião sobre os fatos. Foi ele que me apresentou Thoreau, Schopenhauer, Bacon, Voltaire, Marx... Foi sua energia contagiante que me fez aprender a olhar o mundo de cima de minha carteira.

Lembro-me de que, naquela época, o governo atrasava muito o salário dos professores. Eles ficavam meses sem receber, além de receberem muito mal. Mas todos os dias víamos o Zé chegando na escola com sua bicicleta, com o mesmo sorriso e dando a mesma aula, com o mesmo entusiasmo, ainda que não tivesse um real na carteira. Com ele eu também aprendi que as condições ruins não justificam aulas ruins, e que não é o dinheiro que faz o professor.

Naquela mesma escola [na qual tive a alegria indizível de trabalhar anos mais tarde], conheci o Edson, meu professor de Física. Ele era engenheiro de formação, e odiava dar aula, o que era muito inconsistente com o que eu pensava sobre ele. Suas aulas, pra mim, competiam lado a lado com as de Literatura. Foi com ele que aprendi a abstrair, a pensar no Universo como algo em constante movimento, a fazer cálculos com objetivo, a entender, enfim!, a utilidade de tantas fórmulas...

E fora da sala ele me ensinou ainda mais... Tínhamos encontros mensais, nos quais ele me ensinava a matéria que estava fora do currículo, e ouvia minhas lamúrias de adolescente. Foi nesses encontros, na grama da universidade, que aprendi sobre Física Quântica, I ching, sobre mim mesma... Fico pensando no quanto ele se importava comigo a ponto de me doar seu tempo e seu conhecimento... Hoje ele trabalha no Banco, no qual entrou logo depois que eu saí da escola. Sempre que vou lá fico olhando de longe, e agradeço com os olhos e com o coração toda a influência que seus ensinamentos ainda exercem sobre mim...

Ao entrar na faculdade, ganhei uma musa, uma deusa maior, Dra. Maria Adélia, minha professora de Teoria Literária. Foi Madé que me ensinou que o mundo da Literatura era ainda muito, muito mais vasto que o mundo das sete faces de Drummond... Ela me apresentou Poe, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Virginia Woolf... Ela me ensinou a enxergar além das tintas dos quadros nas aulas de História da Arte. Com ela aprendi a tirar as palavras do estado de dicionário, e a levar a chave sempre que abrisse um livro.

Hoje tenho o absoluto prazer de ainda ter contato com Madé, por mais breve que seja. Ver suas postagens, ler seus textos, falar com ela de quando em quando... Pra mim, é como se ela fosse Sócrates, Aristóteles ou qualquer uma daquelas figuras que, de tão sábias, parecem estar em um universo no qual não nos é permitido pisar...

Ainda na faculdade conheci minha professora de língua inglesa, Regina Célia. Ela era uma mistura de técnica, teoria, prática e doçura. Ensinava como quem contava uma história que, de tão divertida, ninguém queria que acabasse. Era a professora perfeita: organizada, dedicada, com boa didática e, o principal, amava o que fazia. Amava tanto que, mesmo depois de sua aposentadoria, continuou dando aula pra minha turma, até nos formarmos. Ela é meu grande exemplo de que é possível ser forte sem perder a doçura, de que é possível ser teórica e prática. Hoje tenho o prazer de ainda poder conviver com ela, uma vez que é mãe de amigos meus, e, de certa forma, acabou por me adotar como da família...

Minha última grande influência é a Dra. Marilda, minha orientadora do mestrado. Eu nunca serei capaz de expressar em palavras a gratidão pela presença tão importante de Marilda em minha vida. Além de me ajudar a ser uma pesquisadora, seu sorriso sempre me confortava quando eu tinha saudades de casa. Nossas conversas me faziam ver o quanto eu era ignorante, e isso era tão bom, porque eu ainda tinha muito que aprender. Discutíamos horrores, mas eram discussões cheias de risadas, porque o fato de ela vir das Artes e eu das Letras nos fazia andar por caminhos diferentes, e que, no fim das contas, convergiram.

Marilda era a luz em pessoa. Tinha marido [meu professor do mestrado, inclusive. Outra figura incrível!], muitos filhos, mãe pra cuidar, trabalho infinito... e vivia sorrindo e buscando uma nova perspectiva sobre a vida. Eu tinha a visão de Marilda como Mr. Keating sobre a mesa, sempre tentando encontrar outros olhares possíveis.

E essas são as figuras que cravaram o contorno de suas mãos na minha calçada do pensamento... É claro que os demais professores também foram importantes, mas foram esses, cada um a sua maneira, que moldaram quem eu sou, e, principalmente, a professora que eu sou...

Sempre que reflito sobre minha prática em sala [é faço isso com bastante regularidade], fico me lembrando de como eles faziam pra ser como eram. A cada dia, eu busco ser um pouco de cada um deles, na esperança de um dia ser tão importante pra alguém quanto eles foram pra mim.

Eles foram, e continuam sendo, minha grande inspiração. Minha mãe, Regina, Antônia, Zé Carlos, Edson, Madé, Regina, Marilda... Todos eles estão aqui, gravados em mim, me ensinando que é preciso amar o que se faz pra que se possa fazer o bem.

O ingrediente principal eu tenho, que é o amor pelo que faço, o resto... vou aprendendo com a lembrança dos meus grandes mestres. ;)

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Esse post faz parte de uma tag intitulada "Terapia da professora", que será postada às sextas-feiras. As citações que iniciam os posts são retiradas do livro "Terapia do professor", de Karen Katafiasz (Editora Paulus). Para cada frase, eu irei escrever um texto [com minha interpretação ou com minhas histórias] que a ilustre.

Espero que possamos refletir juntos (professores ou não) sobre a docência e o ensino... E você é meu convidado para deixar suas reflexões nos comentários, viu! Beijo procê!


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Terapia da professora #1

"A maior das realizações é passar a vida fazendo o que importa. O ensino é importante."

Quando fui escolher minha profissão (num longínquo século XX), me vi cercada por um mar de possíveis escolhas. Havia as clássicas (Medicina, Direito, Administração), as que davam dinheiro (Engenharias), as moderninhas (Jornalismo e Publicidade) e as que causavam pena na maioria das pessoas (Licenciaturas).

Minha mãe queria que eu fizesse Medicina ("Quero minha filha realizando meu sonho!"). Meu pai, Administração ("Tem que fazer o que dá dinheiro!"). Meus parentes, Engenharia ("Você é nerd!"). Eu... Bom, eu queria mesmo era ser escritora/atriz/cantora, ter uma casa no campo e plantar meus sonhos...

Poucos dias antes da inscrição do vestibular, lembrei que, desde pequenina, as pessoas mais influentes em minha vida [depois de minha família] foram meus professores. Cada um a seu modo, me ensinaram não só sobre equações, sintaxe, briófitas e velocidades médias; eles me ensinaram sobre a vida. Aquelas pessoas, em frente ao quadro, me inspiraram e me guiaram, ainda que não soubessem exatamente o tamanho de sua influência sobre mim.

Ao marcar no quadradinho de Letras - Licenciatura, eu esperava poder um dia ser tão importante pra alguém como meus mestres foram pra mim. Afinal de contas, o ensino e a aprendizagem - estejam eles dentro da sala de aula ou não - são o que move o mundo.

Mesmo sofrendo preconceito por conta de minha escolha, e vendo o quão desvalorizados eram aqueles indivíduos que tinham a bondade de compartilhar comigo o saber que adquiriram ao longo dos anos, eu resolvi que faria parte daquele seleto grupo de pessoas que ficavam em pé sobre suas mesas, e tentavam fazer com que outros pensassem além do lugar-comum.

Sim, Mr. Keating foi um dos principais responsáveis por minha escolha. Sociedade dos poetas mortos talvez seja o filme que mais assisti nessa vida. No início, pra aprender com Mr. Keating e seus discípulos. Nos últimos anos, pra não deixar de acreditar no quanto minha profissão é importante.

É muito triste ver professores se arrastando, trabalhando como quem vai pra guerra ou qualquer coisa que lhes tire a vida. Olho meus companheiros e sinto pena por não terem feito outra escolha; ou então, por não terem abandonado o barco ainda.

Reza a lenda que os professores são desvalorizados... E eu arrisco a dizer que os primeiros a desvalorizarem os professores são eles mesmos. Vejo semanalmente dezenas de colegas rezando por um feriado prolongado, pedindo que um raio caia em suas cabeças, sentados lendo um livro em voz alta como se aquilo fosse uma aula...

Eles reclamam do salário, dos alunos, da coordenação, da direção, do sistema, das provas... Reclamam como se reclamar adiantasse alguma coisa.

Sim, eu também me canso às vezes. Eu também reclamo às vezes, mas porque sou humana e não descontente...

Eu vejo a minha profissão como a mais importante de todas, como aquela que leva aos demais caminhos. Me vejo como uma figura tão ou mais importante que um chefe de estado. Por quê? Porque eu carrego aquilo que um povo tem de mais importante: sua cultura.

Faço com que minhas aulas de História da Arte e Literatura sejam tão importantes quanto qualquer outra disciplina. Por quê? Porque elas são. Elas são tão importantes quanto eu. E ninguém vai me tirar o direito e o dever de mostrar o quão necessário e importante é o ensino.

Se você está no time dos professores que já não veem mais importância no que fazem, tem duas alternativas: pedir pra sair ou mudar sua mentalidade.

Não sei se você percebeu, mas, em uma mísera aula de cinquenta minutos, você pode mudar a vida de 30, 40 jovens de uma vez! Você, ali, em frente ao quadro, é tão importante quanto qualquer artista! Não se deixe ficar como figurante.

É difícil? É cansativo? MUITO! Mas você escolheu, e suas escolhas dentro de sala não afetam apenas você, mas seus alunos também. E eles são o nosso legado. São eles, cada um deles, que irão continuar nosso trabalho no mundo.

Você tem certeza de que quer passar o resto da vida "cumprindo tabela"? Há tantas ocupações por aí... Se não vê mais importância na docência, escolha uma das outras milhares de profissões que estão ao alcance das suas mãos. Tenha a coragem e a decência de desistir.

"Ah, falar é fácil!", você me diz... Uhum... Falar é fácil mesmo. E eu não só falo, eu já fiz.

Em 2007, eu completava 8 anos em sala. Estava cansada, sobrecarregada, carrancuda. Ia pra escola como quem ia pra uma reunião de condomínio: obrigada, e sem perspectivas de melhora... Era concursada do Estado, tinha estabilidade... Estava naquela zona de conforto perigosa do funcionalismo público.

Quando percebi que não dava mais importância pra minhas aulas. Quando olhei no espelho e vi que aquilo não me preenchia mais, fui lá e chutei o balde. Pedi exoneração, larguei todas as minhas aulas e fui morar a mais de mil quilômetros de distância.

Como eu tinha passado a vida dando aula, não sabia fazer mais nada... Fui então trabalhar de vendedora numa loja de camisetas. Depois, recepcionista de uma empresa de internet. Eu não conseguia ver importância no que eu fazia... Era vazio. Serviço pra cumprir tabela e salvar a grana da janta e do aluguel. Eis que encontrei o Mestrado no meio do caminho, e ele mudou minha vida. Mas isso... Isso é uma outra história...

Fiquei três anos fora da sala de aula, e quando voltei, era como se eu fosse a Dorothy voltando pra casa e alegremente dizendo "There's no place like home"... Meu afastamento me fez enxergar que aquele era meu lugar, e que era sendo professora que eu faria a diferença no mundo.

É fácil? Não! Eu fico cansada? Todos os dias! Eu estou realizada? Sim. Eu estou feliz? Sim. E sabe por quê? Porque ensinar é importante, e eu faço parte de algo importante.

Espero que você também esteja feliz, querido professor... Se não, existem milhares de outras coisas que você pode fazer pra fazer a diferença nesse mundo. É só escolher uma delas. ;)

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Esse post é o 1º de uma tag intitulada "Terapia da professora", que irá ao ar toda sexta-feira. As citações que iniciam os posts são retiradas do livro "Terapia do professor", de Karen Katafiasz (Editora Paulus). Para cada frase, eu irei escrever um texto [com minha interpretação ou com minhas histórias] que a ilustre.

Espero que possamos refletir juntos (professores ou não) sobre a docência e o ensino... E você é meu convidado para deixar suas reflexões nos comentários, viu! Beijo procê!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Esvaziando a mente com Mandalas.

Fonte
Faço parte de uma maioria esmagadora que vive com a mente cheia. Os pensamentos brincam de pega-pega em minha cabeça, enquanto eu tento capturá-los, um a um, e dar-lhes vida ou arquivá-los. Penso enquanto faço tantas outras atividades, perco o foco, e fico exausta.

À noite, na cama, é pior ainda. É botar a cabeça no travesseiro pra minha cachola virar uma festa cheia de penetras. E vai desde a conta a ser paga no dia seguinte até a viagem que quero fazer daqui a dois anos. Nada escapa ao meu cérebro em constante trabalho.

Por um lado, é excelente que meus pensamentos estejam todos prosa, uma vez que trabalho com produção de conteúdo. Seja escrever um post, ter uma ideia pra um vídeo, fazer exercícios diferentes pra uma prova, ou ilustrar um determinado conteúdo de uma aula. Eu estou sempre pensando, sempre produzindo.

Por outro lado, toda essa atividade cerebral faz com que eu viva cansada, afinal, nem na hora de dormir eu consigo parar. Meus pensamentos são como crianças choronas, que esgoelam cada vez mais alto em busca de atenção. E lá vou eu escrever na "Penseira" [que é como nomeei o caderninho que fica ao lado da minha cama], até conseguir esvaziar um pouco o oceano de ideias que é minha mente.

Nos parece muito distante a realidade dos iogues, que conseguem passar horas esvaziando suas mentes, e comungando com o sábio silêncio do Universo. Eu venho tentando há anos. ANOS! Em alguns períodos, consigo sentar ali, quietinha em posição de lótus, e ficar uns bons quinze minutos. Em outros, só de pensar em sentar e não fazer nada já me dá um siricotico!

Aliás, esta nossa cultura de ter medo do não fazer nada é o que nos torna mais estressados a cada dia. Hoje, assistindo novamente o lindo "Comer, rezar, amar", prestei mais atenção na expressão "dolce far niente", que significa, numa tradução livre, a beleza e a felicidade de não fazer absolutamente nada. E percebi o quanto isso faz falta em minha vida...
Fonte

Mas veja bem... Não era nem disso que eu queria tratar aqui. Minha intenção é compartilhar uma das técnicas que encontrei pra aquietar um 'cadinho minha cabeça pra lá de maluca...

Há algum tempo, conheci as Mandalas, "uma palavra sânscrita, que significa círculo. Mandala também possui outros significados, como círculo mágico ou concentração de energia. Universalmente a mandala é o símbolo da totalidade, da integração e da harmonia." [Para maiores informações sobre as Mandalas, recomendo fortemente a visita ao site Mundo das Mandalas, do qual retirei a citação.]

Embora tenham diversos usos e significados, existem determinadas mandalas que são desenhos em branco, prontos para serem coloridos. E foi nesses desenhos que encontrei uma forma de meditação.

Eu não sou nenhuma especialista em meditação, mas de tudo o que li e que pude aprender, resumindo bem toscamente, é uma forma de fazermos com que nossa mente se aquiete. E nisso as mandalas têm me ajudado bastante.

Depois do meu ritual noturno [sobre o qual pretendo falar em um post futuro], faço o seguinte:
  • Sento-me confortavelmente - ou deito de bruços, depende do meu estado de cansaço físico;
  • Coloco músicas relaxantes pra tocar. Já tentei fazer em silêncio, mas não consegui. Prefiro ouvir músicas de relaxamento, ou mesmo música clássica. Gosto bastante desse vídeo aqui: Best meditation music - Oliver Shanti
  • Escolho as cores com as quais vou trabalhar no dia. Normalmente, sigo as regrinhas da cromoterapia, mas às vezes vai pela intuição mesmo;
  • Começo a pintar o desenho, detalhe por detalhe, de forma bastante vagarosa.
Fonte
Eu nunca termino uma mandala no mesmo dia, porque, assim como na vida, se focarmos no resultado final, perdemos a graça do caminho. É interessante também colocar um timer com um tempo determinado, ao menos no início, até você ir se acostumando. Normalmente, eu meço o tempo pelas músicas.

Sobre onde encontrar as mandalas, existem milhares [sem hipérbole] de sites que disponibilizam mandalas para impressão. Eu gosto muito dos livros da Editora V&R , pois eles vem com textos sobre espiritualidade, além das mandalas - ou rangolis, um formato que também gosto muito.

Acredito que precisamos, diariamente, encontrar novas formas de entrarmos em contato com o mundo e nos sentirmos bem em nossa própria pele. Essa foi umas das formas que encontrei. Espero que possa fazer bem para vocês também.


E você, também anda com a cabeça fervendo? Tem alguma forma preferida pra aquietar a mente? Conta pra gente. ;)

Beijo procês!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sobre os novos rumos do Ainda MininaMá...

Fonte
Nesse tempo longe da internet, pensei muito sobre minha vida virtual nos últimos dez anos, em especial sobre este muquifo aqui...

Comecei a blogar porque me parecia um lugar bacana pra compartilhar meus poemas e meus textos em prosa. O tempo foi passando, e inspirada por outros blogues, passei a falar de mais coisas, escrever sobre aquilo que eu vivo, que eu consumo, de que eu gosto.

Quando o canal no Youtube começou a fazer parte da minha vida, pensei em transformar o blogue em um lugar literário. Fiquei meses pensando em como fazer isso. Pensei até em criar mais um blogue. Só que eu não sou muito boa em organizar o meu tempo, sabe. Mesmo lendo horrores sobre organização e produtividade, dou um duro danado pra conseguir fazer tudo o que preciso e gosto. De modo que a ideia de mais um blogue não seria lá muito boa...

Não sei dizer se a tal crise de identidade dos 30 tem alguma coisa a ver com isso, mas faz uns bons anos que não consigo me contentar com o Ainda MininaMá. Não consigo vê-lo por inteiro, sabe? E foi só durante esse meu afastamento que pude perceber que este espaço aqui é uma extensão de mim, ou seja, ele é um senhor de um samba do crioulo doido, cheio de gostos e referências.

Durante um tempo, fiquei presa à ideia de que o blogue precisava parecer com o canal do Youtube, uma vez que este último tem um alcance maior. Só que os dois são duas coisas diferentes. Lá, no Youtube, eu quero falar sobre livros - ou bobeiras, como quando faço os vídeos sobre os Trends do Twitter; aqui, eu quero falar sobre o mundo, o meu mundo.

Quero ter a liberdade de postar vídeos motivacionais, fotos de decoração, maquiagem, roupas... Falar sobre política, música, cinema... Rabiscar minhas crônicas, meu poemas. Quero, aqui, poder voar pra onde minhas asas desejam.

Já escrevi vários posts sobre isso... E só agora consigo ter maturidade pra entender que o meu espaço é meu, pessoal e intransferivelmente meu. Não adianta eu fazer posts pra agradar às pessoas, se esses posts não agradarem a mim primeiro.

Eu não tenho [e talvez nunca venha a ter] a estrutura psicológica necessária pra ser uma problogger. Ainda assim, quero transformar esse espaço não só numa extensão dos meus diários, mas também num espaço de conteúdo. Quero levar pra casa de vocês coisas bonitas, úteis ou só fofas mesmo.

Estou cá, lendo tudo o que posso, e entrando em contato com quem posso, pra transformar esse espaço em um espaço mais bonito e profissional; mas não profissional de sisudo. Profissional no sentido de referência, de compromisso, de constância.

Não faço ideia de quantas pessoas leem minhas mal escritas linhas, mas sei que aquelas que leem merecem um espaço melhor, assim como eu também mereço.

Meu corpo mudou de casa, e agora quero mudar minha alma também. Quero que ela tenha uma morada alegre, presente e bonita.

E você pode me ajudar a pensar melhor sobre isso... Diz pra mim, o que você mais gosta no blogue? Sua resposta será muito importante, e ajudará deveras a estrupícia aqui...

No mais, se você chegar aqui e encontrar um post sobre a reforma das minhas estantes, como transformar um copo em um vaso, Feng Shui, técnicas de organização, como fazer um planejamento, o filme Malévola, o batom Russian Red... Enfim, se você encontrar algo que não seja sobre livros, não se espante! Sou só eu fazendo do Ainda MininaMá blogue uma extensão da minha vida... E você está mais do que convidado a fazer parte dela também!

Por hoje é só, minha gente... Muito obrigada pela companhia e pelo carinho de sempre!

Tenham uma ótima semana!
Beijo procês!

domingo, 22 de junho de 2014

Post Its #26 - Sobre os Quadrinhos que chegaram.



E cá estamos novamente fazendo graça no Youtube. Desempoeirando este muquifo, de modo que: favor não reparar na tosquice do vídeo. ;)

Esse é um vídeo sobre os Quadrinhos que chegaram no primeiro semestre de 2014.

Quer me mandar uma cartinha? Só usar a Caixa Postal do Ainda MininaMá. ;)

Caixa Postal 15
Campo Grande - MS
Cep: 79002-970

Livros na ordem em que foram mostrados no vídeo:

1. Sweet Tooth 5 e 6 - Jeff Lemire (Panini Comics)
2. Os Ignorantes - Etienne Davodeau (WMF Martins Fontes)
3. Wilson - Daniel Clowes (Quadrinhos na Cia)
4. Will Eisner: um sonhador nos quadrinhos - Michael Schumacher (Biblioteca Azul)
5. Pinóquio - Winshluss (Globo Livros)

Editoras Parceiras:



Créditos da abertura/vinheta: HP Charles e Tatiana Feltrin
Música da abertura: Original de HP Charles


AVISO: Esse é um publivídeo.
OBSERVAÇÃO: Ainda que seja um livro enviado pela editora, minha opinião é pessoal e intransferível, e se baseia tão somente no meu gosto e na minha experiência como leitora.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Keep the faith...


Há dias em que o mundo ao redor parece uma grande e pesada nuvem cinza... Nenhum raio de sol se atreve a atravessar o desânimo e a desesperança. Quando resolvemos um problema, logo atrás vem outro, ainda maior. E enquanto andamos, de um lado pro outro, tentando encontrar soluções, acabamos metendo o maldito mindinho na quina da cama.

Eu conheço bem esses dias. Tenho vivido muitos deles sucessivamente. Como uma avalanche de segundas-feiras a engolir minha últimas esperanças.

Em momentos como esses, em que nosso único desejo é não ter mais desejos, e dormir tal qual a dona Adormecida, nossa única salvação é manter a fé. Seja a fé em um deus ou deusa. Seja a fé em dias melhores. Seja a fé em nós mesmos.

Podemos perder amor, amigos, dinheiro, emprego, sonhos... Só não podemos perder a fé.

Sente-se no seu canto preferido da casa. Entoe um mantra ou uma canção que lhe faça bem. Acenda um incenso. Tome um banho. Ande descalço na grama. Reze. Ligue pra um amigo e fale sobre sua arte preferida. Cante alto. Dance feito doido. Caminhe sem rumo. Escreva. Pinte. Desenhe. Faça alguma coisa. Faça qualquer coisa que lhe faça bem, só não deixe sua fé ir embora... Ela é o único raio de sol capaz de mandar embora a nuvem cinza.

Agradeça às forças nas quais acredita. Agradeça, apesar de. Porque, por mais que tenhamos perdido, ainda temos muito. Olhe para o lado, e perceba quantas graças ainda estão enchendo suas mãos. Agradeça. E peça apenas, e tão somente, para que a fé permaneça dentro de você.

Eu estou aqui, tentando manter a esperança que só a fé é capaz de nutrir. Espero que você mantenha a sua.

De longe te mando um abraço apertado, e deixo o lindo do Bon Jovi ecoando em nossos ouvidos...

"Everybody needs somebody to love (mother, mother)
Everybody needs somebody to hate (please believe me)
Everybody's bitching 'cause they can't get enough
When it's hard to hold on
And there's no one to lean on

Faith!: You know you're gonna live trough the rain
Lord we've gotta keep the faith
Faith!: Dont you let your love turn to hate
Now we've gotta keep the faith

Keep the faith, keep the faith
Lord we've gotta keep the faith"


Beijo procê...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sobre redes sociais e meu sumiço delas...

Quem tem o hábito de me acompanhar nas redes sociais, já deve ter percebido meu desparecimento de praticamente todas elas. Ainda mantenho postagens diárias no Instagram [mais como recurso pra memória caduca do que como rede social efetivamente] e tenho passado bastante tempo no Pinterest. De resto, facebook, twitter, canal no youtube, blog e até whatsapp andam bastante abandonados...

Tenho duas explicações principais:
  • O trabalho tem me tomado muito, muito tempo. Pesquisar, estudar, preparar aulas, corrigir provas, dar aula. Enfim... Tudo isso tem me exigido uma dedicação bastante grande;
  • Tenho repensado por demais as minhas relações sociais [físicas e virtuais].


Estou em processo de mudança de casa [Sim! De novo! Logo conto sobre isso procês...], e toda mudança me leva, ainda que eu não queira, a rever meus valores, a revisar minha conduta, a reavaliar minha vida... Como se a cada mudança eu me tornasse uma fênix, e renascesse outra. E essa outra Patrícia está de saco cheio de redes sociais.

Estou cansada da urgência cada vez mais urgente do mundo virtual. Se por um lado a virtualidade estreita laços com o próximo, por outro ela nos afasta de nós mesmos, afinal, nunca estamos sozinhos. Nunca!

O smartphone se tornou praticamente parte integrante de nossa mão, como um outro dedo ou coisa que valha. Não sabemos mais ser sozinhos. Pior, nos sentimos pressionados a não sermos sozinhos, como se estar conosco mesmo não fosse o suficiente.

Antigamente, víamos os amigos nos finais de semana, nas rodas de tereré de tardezinha, nos encontros previamente marcados. Agora, nossos amigos estão, literalmente, ao alcance de nossas mãos. Até em mesas de bar, nas quais debatíamos, ríamos e conversávamos, nos deixamos enganar pela falsa noção de presença que a tecnologia móvel nos dá. Conversamos com o amigo do lado pelo whatsapp! Veja a que ponto chegamos!!!

Eu nunca tive muitos amigos. Quando criança, não tinha nenhum. Como eu tinha problemas pra correr e ser uma criança normal, tinha que me contentar em ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários com minhas bonecas.

Na adolescência a coisa não mudou muito de figura. Tinha menos amigos que os dedos de uma mão, e continuava com a mesma rotina de ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários (mas, dessa vez, com palavras).

Foi a Faculdade que me trouxe amigos. E foi a internet que potencializou a minha capacidade comunicativa. E também me trouxe amigos tão inestimáveis quanto os feitos nos corredores universitários [ou nos bares dos arredores].

Hoje, eu tenho milhares de conhecidos. Pessoas que fazem parte da minha vida - virtualmente, devo acrescentar - mas ainda assim, fazem parte da minha vida. Meu círculo social se expandiu, mas ainda não sei muito bem como me encaixar nele.

Quem me conhece de longa data dessas terras áridas virtuais sabe muito bem que um dos meus maiores defeitos é não responder a comentários. Não sei o que acontece. Simplesmente não sei! Muito provavelmente uma peça quebrada, ou pura e simples falta de organização.

Sei que como pessoa pública - fato que ainda não consegui assimilar, mesmo depois de anos me expondo no mundo virtual - tenho minhas obrigações com as pessoas que me acompanham. Na verdade, não faço por obrigação, mas como retribuição ao carinho. E, ainda que em silêncio, sorrio em agradecimento por alguém que sequer me conhece, ter me doado um pouco do seu tempo.

Além disso, tenho tido pânico de pensar que a urgência do mundo é uma obrigação minha. Aliás, você já parou pra pensar se suas respostas no whatsapp são de verdade ou mero reflexo da obrigação de estar presente?

É claro que eu adoro poder estar mais próxima dos amigos mais vezes por semana! O que me incomoda é me sentir obrigada a responder tudo numa rapidez desenfreada. Me incomoda não ter mais o direito de estar sozinha. Me incomoda, sobretudo, me sentir aprisionada na grande teia virtual.

Essa semana, assisti ao programa Saia Justa. Era um episódio no qual elas discutiam exatamente sobre o quanto somos dominados pelas tecnologia virtual. Para além disso, elas discutiam sobre nossa incapacidade de manter o foco e manter nosso controle cognitivo.

Ao citarem o estudioso  Daniel Goleman - o qual fala um pouco nesse vídeo aqui - e seu livro "Foco" [Nessa entrevista aqui, para a Revista Exame, o autor fala um pouco sobre o tema e sobre o livro], as meninas falaram sobre essa nossa tão recente falta de controle sobre nossos impulsos e, consequentemente, sobre nós mesmos.

Confesso que me senti bastante mal ao pensar no quanto sou escrava das tecnologias. Lembrei da culpa que acumulo quando não respondo uma mensagem ou um e-mail na hora em que recebo. Lembrei da necessidade pungente de abrir o Facebook incontáveis vezes por dia. Aliás, hoje em dia, abrir o Facebook é o equivalente a abrir a geladeira pra pensar: não sabemos o que queremos, nem se queremos alguma coisa. Fazemos pela pura força do hábito.

Enquanto isso, nossos projetos pessoais vão ficando de lado. Arrumar aquela gaveta é menos importante do que ficar vendo memes sem sentido numa página ainda mais sem sentido no Facebook. Ler aquele texto há muito deixado ao lado da cama é menos prazeroso do que discutir o tempo num grupo do whatsapp.

Será que chove? Penso que chuva, daqui uns dias, só de pessoas perdidas sem saber viver fora da tela.

Tenho medo do que nos tornaremos. Na verdade, tenho medo há muito tempo, mas agora, estou começando a ter pavor. "A humanidade é desumana", já cantava um Renato que não ficou aqui pra escrever suas ideias brilhantes no Twitter. Somos cada dia menos humanos, e menos capazes de conviver conosco mesmos.

Digo isso por mim, não por você. Digo somos porque me sinto parte dessa massa disforme que caminha para o caos mais uma vez. Só que desta vez, serão muito mais que trezentos morrendo juntos. Serão milhões massacrados por si próprios.

De modo que, se eu demorar pra responder uma mensagem sua, por favor, não pense que é descaso! Sou só eu tentando retomar o controle da minha vida... ;)

Um beijo procês!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aos meus companheiros de tela (ou cela)...

[Aviso: o texto é longo, a discussão é infinita e o espaço é privado. Desta forma, se você não sabe ler, não consegue conter a besta fera dentro de você e não é capaz de respeitar o próximo, sugiro que vá fazer algo mais produtivo da sua vida. Capiche? ;) ]

Queridos companheiros, que, como eu, também estão presos num retângulo de material vítreo/plástico/tecnológicodemaispraestrupíciaaquisabernomear qualquer...

Escrevo este texto modiquê estou cansada, muito cansada. Já travei muitas e sangrentas batalhas nesta vida - a principal e mais duradoura delas comigo mesma, aliás -, mas esta batalha que tenho lutado cotidianamente nas arenas da internet tem me cansado mais que uma turma com 50 alunos da sexta série.

E eu sei que talvez essa referência não faça sentido para quem nunca deu aula para a sexta série, mas basta imaginar 50 crianças de 11 anos presas em uma sala de aula, por uma hora, e você ali na frente, tentando ensinar Verbo enquanto resolve o problema do “quem puxou o cabelo de quem” ou então tentando mostrar que não é educado chamar a mãe dos outros de moça cujo trabalho consiste em trocar favores sexuais por dinheiro.

Mas deixemos de devaneios tolos a nos torturar, e voltemos ao motivo deste post...

No começo, éramos uns poucos perdidos, com nossos livros comprados a duras penas, com umas câmeras toscas, programinhas amadores de edição, e quinze minutos, no máximo, de exposição no Youtube.

Gravávamos livres, de pijama, sem maquiagem, com a barba maior que do Asterix, com o cabelo mais despenteado que da Belatrix Lestrange, com o ego menos inflado que balão estourado.

Fazíamos vídeos porque gostávamos de compartilhar com as pessoas nosso amor pelos livros. Fazíamos vídeos porque nos sentíamos úteis. Fazíamos vídeos porque éramos felizes fazendo vídeos. Como se aqueles grupinhos dos quais participávamos na escola, de repente, tivessem voltado à vida, só que mais legais, pois podíamos conversar com pessoas do mundo todo, e sermos nós mesmos, sem termos vergonha por gostarmos disto ou daquilo.

E então mais pessoas foram entrando na brincadeira, e as opções foram aumentando, os amigos se multiplicando, as câmeras melhorando... As editoras passaram a nos dar presentes. Passamos a ter prazos a cumprir. Livros a divulgar. Listas infinitas de coisas pra ler.

Fomos parar nos jornais. Demos entrevistas. Fizemos vídeo em conjunto pra declarar nosso amor por Drummond. Fizemos vídeo em conjunto pra protestar contra essa balbúrdia que é o país. [Se você nunca assistiu ao vídeo “O Gigante”, assista, filhote!]

E como toda boa sociedade, as classes foram se formando. Diversos grupos, divididos por suas afinidades, criaram linguagens próprias, esconderijos secretos, tags... O número de inscritos aumentou em proporções nunca antes imagináveis pra um país que, reza a lenda, não tem muitos leitores.

Nesse meio tempo, grupos se desfizeram, refizeram, desfizeram novamente. E a grande graça da brincadeira foi sendo deixada sozinha numa estação de trem qualquer...

[Clique nesse trem, e continue lendo o texto, fio.]

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Hiato, desejos e "Os ombros suportam o mundo"...

Este blog entrou em um hiato, que mais me parece um abismo, agora, olhando-o de frente... Não sei quando minhas palavras voltarão a brincar nesta página, mas sei que gostaria de dar as mãos ao querido Carlinhos, e vir lhes desejar sorte, coragem, amor, e acima de tudo, fé. Em você, no mundo e nos homens. Porque, se nossos ombros suportam o mundo, também somos capazes de suportar os dias de combate. :)

Os ombros suportam o mundo
[Carlos Drummond de Andrade]

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Um beijo procês!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Semana de MininaMá #6

'Cês acreditam que essa semana passou tão, mas tão voando que eu nem fui capaz de escrever um post sequer? É... Mesmo nas férias o tempo voa... 'Bora lá pra mais um Semana de MininaMá, antes que a semana acabe sem que eu veja outra vez? ;)


À esquerda, show da Banda Haiwanna (no BarFly). O Haiwanna é uma banda aqui de Campo Grande, de queridos amigos meus, que toca rock nacional. Sempre incríveis!

Ao lado, um pouco de tereré com boldo, pra ver se dava uma limpadinha no organismo, porque né... ;)


Contracapa do cd "Com você... meu mundo ficaria completo", da Cássia Eller. Esse é, sem dúvida, um dos melhores cds da Cássia.

À direita, show da incrível Brown Dino (no BarFly), outra banda daqui de Campo Grande. Eu gosto muito de assistir aos shows ao vivo, e sempre que posso, dedico minhas noites de fim de semana a isso. :)


À esquerda, o bendito cronograma das minhas aulas de direção. Achei que nunca seria capaz, mas ó, vou contar procês, já dirigi 4 dias e não bati nem atropelei ninguém, ou seja, estou quase lá. :) Depois vou fazer um vídeo sobre essa experiência de tirar carteira de motorista depois de velha.

Foto de um episódio da segunda temporada de Gilmore Girls. Lorelai e Luke são, com certeza!, meu casal preferido ever!

Minha agenda de 2014 em construção. Preciso dicumforça me organizar esse ano, e 'tava com saudades de fazer minha própria agenda. Logo faço um post mostrando como foi o desenvolvimento.

Gilmore Girls time. :) Estou fazendo maratona Girlmore. Faço praticamente todo ano, nas férias, afinal, é meu seriado favorito.


E daí que nas férias também me sobra tempo pra jogar no lindo do Pottermore. :)

Ao lado, capa do incrível, eu disse INCRÍVEL!, Sweet Tooth. Um dos melhores quadrinhos que já li na vida. Lindo! Lindo! Lindo! Logo sai vídeo sobre os 5.


Requadro de Sweet Tooth. Me diz se não dá vontade de abraçar o Gus e dizer que vai ficar tudo bem, gente?!

O Beco Diagonal no Pottermore. Lindo com essa neve caindo!


Não aguentei esperar a Panini me enviar o Sweet Tooth 5, e tive que ir à banca comprar. Já disse que Sweet Tooth é lindo? ;)

Ao lado, tela de um dos dvds da segunda temporada de Gilmore Girls com o lindo do Dean.


Na sexta fui assistir ao show da melhor banda do Universo [na minha humilde opinião]: O Bando do Velho Jack, lá no Lendas Pub.Não vejo a hora de o cd novo sair.

À esquerda, look bem básico pra me divertir com os amigos.

À direita, eu e meu amor por Harry Potter em uma foto.


Show da banda Brown Dino no BarFly. Já falei que os caras são incríveis, né? ;)

À direita, quadro lindo dos Beatles que fica numa das paredes do BarFly. E a minha vontade de trazer pra casa todos os quadros de lá? :)


À direita, show da Banda Lynkx. Os caras tocam rock britânico, e a voz do Gustavo é incrível!

À esquerda, pegando emprestadas as palavras do sempre sábio Renato Russo pra terminar a semana.

E essa foi mais uma das minhas semanas de férias. Muito rock'n roll, leituras, Harry Potter e Gilmore Girls.
As férias são lindas, não são?

E vocês, o que fizeram na semana que passou? Costumam manter um registro também?

Beijo procês!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Semana de MininaMá #5

Tentando colocar a promessa de organização do blog em dia, voltei com a tag Semana de MininaMá, que é um apanhado do que rolou no meu instagram durante a semana. 'Bora lá conferir um pouco dos meus retalhos? ;)


À esquerda os bastidores de gravação dos vídeos. Depois de dois meses consegui voltar a gravar. E ó, aguardem muitos vídeos em Janeiro, viu. ;)

À direita, selfie com look pra ir ver o cover do Elvis Presley. :)


Aqui, meus desejos de ano novo procês!


 Até o dia 15 de janeiro, 'tá rolando o sorteio desses dois livros lindos no blog: "Perdoe-me tanto laquê", da Juliana Gervason, e "A condição indestrutível de ter sido", da Helena Terra. Clique AQUI para ver o post do sorteio. ;)

Foto do jornal Zero Hora, de 02 de janeiro de 2014. O jornalista Alexandre Lucchese fez uma matéria bem bacana sobre os vlogs literários. Clique AQUI para ler a matéria.



Depois de mais de dez anos ensaiando, enfim fiz minha primeira tatuagem! =)

Se dói? Não, ao menos não como eu temia que doesse. Logo faço um vídeo falando sobre como foi fazer a tattoo. Eu fiz no Hard Work Tattoo Parlour, com o Thom Rech. Adorei o estúdio e o tatuador, e com certeza vou voltar lá pra fazer as próximas. ;)

Quero deixar um beijo especial pra Carolina Ferreira (Elektra's Bazar) e pra Carla Renata, que foram lá comigo me dar força e carinho. Beijo, suas lindas! 'Brigada, viu!


 Aqui duas fotos da minha tatuagem linda assim que ela estava terminada. Fiz um desenho baseado nas "Relíquias da Morte", que foram tiradas do "Conto dos três irmãos" (do livro Contos de Beedle, o Bardo, da J. K. Rowling). Se você não conhece a história, veja ESSE VÍDEO, que faz parte do filme Relíquias da Morte, no qual a Hermione narra o "Conto dos três irmãos".

As palavras são da música linda do Sir Paul McCartney, "Live and let die". Se você não conhece, sugiro que veja ESSE VÍDEO lindo, e leia a letra AQUI.

Pra mim, todo o conjunto tem um significado muito especial e pessoal. Demorei muito tempo pra escolher o que marcaria meu corpo pra sempre, e penso que não poderia ter desenho melhor. Além do que, o Thom é muito talentoso, e deixou o desenho lindo!

E é isso, seus lindos... Esses foram os meus últimos dias de 2013 e primeiros dias de 2014.
Que essa próxima semana seja maravilhosa!
Um beijo procês!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Meu blog é neutro em CO2, neutralize o seu também! :)

Dia desses, passeando pelo incrível blog The busy woman and the stripy cat, encontrei uma postagem em que a Rita falava sobre essa iniciativa incrível da Guiato, uma empresa que pretende promover a sustentabilidade através da rede virtual.

A ação que eles promovem é a Gesto Verde - Meu blog é neutro em CO2, e pra participar é super simples: basta você escrever um post em seu blog com o tema "Meu blog é neutro em CO2", que eles plantam uma árvore em nome do seu blog. Não é o máximo, minha gente?

Pode parecer pouco, mas se cada um fizer o seu pouco, vira muito. ;)

tree-co2-blog

Se você também quiser entrar nessa, é só entrar nesse link AQUI, e seguir as instruções. É fácil, rápido e em instantes você deixa de ser apenas mais um ativista de rede social e passa a fazer efetivamente a sua parte na restauração da biodiversidade brasileira.

E então, que tal começar 2014 fazendo a sua parte? Eu já fiz a minha, e espero que você se junte a mim.

Um beijo "verde" procês!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Post Its #24 - Sobre os livros que chegaram no muquifo.

Oi, tudo bem com você? Esse post é pra trazer procês do blog o último vídeo de 2013, no qual eu mostro os livros que chegaram em Novembro de Dezembro de 2013 aqui no meu muquifo.


A lista com os livros e os links está aqui embaixo. Qualquer dúvida, sugestão, comentário: fiquem à vontade.

Patrícia Pirota
Caixa Postal 15
Campo Grande - MS
Cep: 79002-970

Livros mostrados
  • 1. Perdoe-me tanto laquê - Juliana Gervason (Bartlebee)
  • 2. O vermelho dos seus castanhos - Leonardo Triandópolis (Leio Eu)
  • 3. Onde andará Dulce Veiga - Caio Fernando Abreu (Saraiva)
  • 4. Clube da Luta - Chuck Pallaniuk (Leya)
  • 5. Fun Home - Alisson Bechdel (Conrad)
  • 6. Café Espacial 12 - Sérgio Chaves (Editor)
  • 7. as coisas que Cecília fez - Liber Paz
  • 8. Eu me chamo Antônio - Pedro Gabriel (Intrínseca)
  • 9. Ingá/Piteco - Shiko (Panini/MSP)
  • 10. Cartas a Ofélia - Fernando Pessoa (Biblioteca Azul)
  • 11. Vida Peregrina - Mariana Kalil (Dublinense)
  • 12. Nu, de botas - Antonio Prata (Companhia das Letras)
  • 13.Logicomix - Christos Papadimitriou/Alecos Papadatos (WMF Martins Fontes)
  • 14. Valente Para Sempre/Para todas/Por opção - Vitor Caffagi (Panini)
  • 15. Fábulas [1-14] (Vertigo/Panini)
  • 16. Sweet Tooth (Vertigo/Panini)
  • 17. O inescrito (Vertigo/Panini)
  • 18. Histórias da Meia-Noite - Neil Gaiman (Vertigo/Panini)


Pessoas e Sites citados
(Clica no nome pra ir pra página.)












Você também me encontra por aí:

Créditos da abertura/vinheta: HP Charles  e Tatiana Feltrin
Música da abertura: Original de HP Charles

Um beijo procês!
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