sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aos meus companheiros de tela (ou cela)...

[Aviso: o texto é longo, a discussão é infinita e o espaço é privado. Desta forma, se você não sabe ler, não consegue conter a besta fera dentro de você e não é capaz de respeitar o próximo, sugiro que vá fazer algo mais produtivo da sua vida. Capiche? ;) ]

Queridos companheiros, que, como eu, também estão presos num retângulo de material vítreo/plástico/tecnológicodemaispraestrupíciaaquisabernomear qualquer...

Escrevo este texto modiquê estou cansada, muito cansada. Já travei muitas e sangrentas batalhas nesta vida - a principal e mais duradoura delas comigo mesma, aliás -, mas esta batalha que tenho lutado cotidianamente nas arenas da internet tem me cansado mais que uma turma com 50 alunos da sexta série.

E eu sei que talvez essa referência não faça sentido para quem nunca deu aula para a sexta série, mas basta imaginar 50 crianças de 11 anos presas em uma sala de aula, por uma hora, e você ali na frente, tentando ensinar Verbo enquanto resolve o problema do “quem puxou o cabelo de quem” ou então tentando mostrar que não é educado chamar a mãe dos outros de moça cujo trabalho consiste em trocar favores sexuais por dinheiro.

Mas deixemos de devaneios tolos a nos torturar, e voltemos ao motivo deste post...

No começo, éramos uns poucos perdidos, com nossos livros comprados a duras penas, com umas câmeras toscas, programinhas amadores de edição, e quinze minutos, no máximo, de exposição no Youtube.

Gravávamos livres, de pijama, sem maquiagem, com a barba maior que do Asterix, com o cabelo mais despenteado que da Belatrix Lestrange, com o ego menos inflado que balão estourado.

Fazíamos vídeos porque gostávamos de compartilhar com as pessoas nosso amor pelos livros. Fazíamos vídeos porque nos sentíamos úteis. Fazíamos vídeos porque éramos felizes fazendo vídeos. Como se aqueles grupinhos dos quais participávamos na escola, de repente, tivessem voltado à vida, só que mais legais, pois podíamos conversar com pessoas do mundo todo, e sermos nós mesmos, sem termos vergonha por gostarmos disto ou daquilo.

E então mais pessoas foram entrando na brincadeira, e as opções foram aumentando, os amigos se multiplicando, as câmeras melhorando... As editoras passaram a nos dar presentes. Passamos a ter prazos a cumprir. Livros a divulgar. Listas infinitas de coisas pra ler.

Fomos parar nos jornais. Demos entrevistas. Fizemos vídeo em conjunto pra declarar nosso amor por Drummond. Fizemos vídeo em conjunto pra protestar contra essa balbúrdia que é o país. [Se você nunca assistiu ao vídeo “O Gigante”, assista, filhote!]

E como toda boa sociedade, as classes foram se formando. Diversos grupos, divididos por suas afinidades, criaram linguagens próprias, esconderijos secretos, tags... O número de inscritos aumentou em proporções nunca antes imagináveis pra um país que, reza a lenda, não tem muitos leitores.

Nesse meio tempo, grupos se desfizeram, refizeram, desfizeram novamente. E a grande graça da brincadeira foi sendo deixada sozinha numa estação de trem qualquer...

[Clique nesse trem, e continue lendo o texto, fio.]

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Hiato, desejos e "Os ombros suportam o mundo"...

Este blog entrou em um hiato, que mais me parece um abismo, agora, olhando-o de frente... Não sei quando minhas palavras voltarão a brincar nesta página, mas sei que gostaria de dar as mãos ao querido Carlinhos, e vir lhes desejar sorte, coragem, amor, e acima de tudo, fé. Em você, no mundo e nos homens. Porque, se nossos ombros suportam o mundo, também somos capazes de suportar os dias de combate. :)

Os ombros suportam o mundo
[Carlos Drummond de Andrade]

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Um beijo procês!
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