sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aos meus companheiros de tela (ou cela)...

[Aviso: o texto é longo, a discussão é infinita e o espaço é privado. Desta forma, se você não sabe ler, não consegue conter a besta fera dentro de você e não é capaz de respeitar o próximo, sugiro que vá fazer algo mais produtivo da sua vida. Capiche? ;) ]

Queridos companheiros, que, como eu, também estão presos num retângulo de material vítreo/plástico/tecnológicodemaispraestrupíciaaquisabernomear qualquer...

Escrevo este texto modiquê estou cansada, muito cansada. Já travei muitas e sangrentas batalhas nesta vida - a principal e mais duradoura delas comigo mesma, aliás -, mas esta batalha que tenho lutado cotidianamente nas arenas da internet tem me cansado mais que uma turma com 50 alunos da sexta série.

E eu sei que talvez essa referência não faça sentido para quem nunca deu aula para a sexta série, mas basta imaginar 50 crianças de 11 anos presas em uma sala de aula, por uma hora, e você ali na frente, tentando ensinar Verbo enquanto resolve o problema do “quem puxou o cabelo de quem” ou então tentando mostrar que não é educado chamar a mãe dos outros de moça cujo trabalho consiste em trocar favores sexuais por dinheiro.

Mas deixemos de devaneios tolos a nos torturar, e voltemos ao motivo deste post...

No começo, éramos uns poucos perdidos, com nossos livros comprados a duras penas, com umas câmeras toscas, programinhas amadores de edição, e quinze minutos, no máximo, de exposição no Youtube.

Gravávamos livres, de pijama, sem maquiagem, com a barba maior que do Asterix, com o cabelo mais despenteado que da Belatrix Lestrange, com o ego menos inflado que balão estourado.

Fazíamos vídeos porque gostávamos de compartilhar com as pessoas nosso amor pelos livros. Fazíamos vídeos porque nos sentíamos úteis. Fazíamos vídeos porque éramos felizes fazendo vídeos. Como se aqueles grupinhos dos quais participávamos na escola, de repente, tivessem voltado à vida, só que mais legais, pois podíamos conversar com pessoas do mundo todo, e sermos nós mesmos, sem termos vergonha por gostarmos disto ou daquilo.

E então mais pessoas foram entrando na brincadeira, e as opções foram aumentando, os amigos se multiplicando, as câmeras melhorando... As editoras passaram a nos dar presentes. Passamos a ter prazos a cumprir. Livros a divulgar. Listas infinitas de coisas pra ler.

Fomos parar nos jornais. Demos entrevistas. Fizemos vídeo em conjunto pra declarar nosso amor por Drummond. Fizemos vídeo em conjunto pra protestar contra essa balbúrdia que é o país. [Se você nunca assistiu ao vídeo “O Gigante”, assista, filhote!]

E como toda boa sociedade, as classes foram se formando. Diversos grupos, divididos por suas afinidades, criaram linguagens próprias, esconderijos secretos, tags... O número de inscritos aumentou em proporções nunca antes imagináveis pra um país que, reza a lenda, não tem muitos leitores.

Nesse meio tempo, grupos se desfizeram, refizeram, desfizeram novamente. E a grande graça da brincadeira foi sendo deixada sozinha numa estação de trem qualquer...

[Clique nesse trem, e continue lendo o texto, fio.]


Deixou-se de fazer vídeo pra falar do amor pelos livros, e iniciou-se uma guerra pra ver quem ganha mais, quem tem mais seguidores, quem tem menos dislikes, quem tem mais amiguinhos, quem tem medo do advogado, quem tem a escova de dentes do Bátima ou vidro de condicionador do Bob Esponja...

Se eu digo, despretensiosamente, que a capa do meu livro é azul, há sempre alguém que vai querer dizer que eu estou impondo que deva ser azul, muito embora eu nunca tenha dito que minha opinião é a única que tenha valor nesta vida. Até porque, minha opinião, definitivamente, só vale pessoal e intransferivelmente para mim. Caso mais alguém queira tomá-la como verdade, é por sua conta e risco. Sem direito a reclamações no Procon ou no Reclame Aqui.

Com o tempo, passou-se a zombar dos sobrenomes, do peso, das cores, dos sotaques, dos animais... Passou-se a receitar lexotan, valium, ritalina, vibradores e sexo, como se uns fossem caso médico e os outros, o próprio médico.

E os livros foram ficando esquecidos, abandonados nas estantes, que passaram a servir apenas de plano de fundo dos vídeos...

Vou contar uma coisa procês... Já tem por volta de uns seis meses que não vejo quase nenhum vídeo dos meus coleguinhas de tela. Faço muitos vídeos de uma vez, quando posso, e passo vários meses sem dar as caras no Youtube. Não sei a quantas anda o número de canais, qual é o tema dos vídeos e tampouco o número de inscritos alheios...

Não sou nem nunca fui a blogger/vlogger perfeita. E nunca serei, devo acrescentar com pesar. Não consigo dar conta de responder comentários. Fico meses sem postar nenhuma palavrinha. Sinto que nunca correspondo o carinho das pessoas como deveria... 

Por falar em carinho, de alguma forma – que ainda não sei bem como aconteceu -, passamos a ter fãs, uma palavra que me incomoda sobremaneira, na verdade. Para mim, as pessoas que estão do outro lado da tela são, assim como eu, leitoras, formadoras de opinião, seres com alma e coração pulsantes e pensantes.

E são exatamente essas pessoas – esses amigos, que de longe nos dão abraço, colo, carinho; que comemoram conosco nossas vitórias e nos dão a mão nas derrotas, ainda que nunca tenham nos visto ao vivo -, que acabam sofrendo com todas as guerras e destruições. São essas pessoas, que doam seu tempo pra nos ouvir, que são obrigadas a ler meus posts de desculpas, ou então comentários enraivecidos em vez de lerem e verem o que tanto interessa a elas: nosso amor pela Literatura.

A partir de um dado momento que não sei precisar, pequenas batalhas passaram a ser travadas, primeiro nos bastidores, e depois levadas à praça pública por matracas incessantes e barulhentas.

Semeadores da discórdia disfarçaram-se de produtores de conteúdo, e panfletam cada vez mais nas propriedades privadas, quebrando vidros, destruindo jardins e arrebentando portas.

E todos seguem o líder da vez, colocando nele as vestes de Moisés, e rumando ao Mar Vermelho de cólera, de injúrias e de falácias.

Verdades passam a ser mentiras, mentiras passam a ser verdades. Gritos, brados, sussurros medrosos no escuro das batalhas noturnas e na privacidade dos grupos secretos.

Pessoas que deveriam estar felizes por terem cada vez mais espaço e companheiros, perdem-se num mar de comentários maldosos, e transformam vídeos, posts e status do FB em arenas modernas, como se fossem gladiadores a lutar pelos direitos dos frascos, comprimidos e desfavorecidos que não têm voz.

Posts e vídeos sobre qualquer assunto acabam sendo canibalizados e carnavalizados sem a autorização de seus donos e donas, que só queriam mesmo era conversar. E então formam-se mártires, que sequer pediram para irem à forca, jogados no meio da corja de canibais sedentos por discórdia e destruição.

E os livros, pobres livros, cada vez mais de lado... E a Literatura, pobre Literatura, cada vez mais paulocoelhizada...

Escolhe-se a Joana D'arc da vez, e monta-se a santa fogueira que irá queimar todas as regras, todas as ditaduras, todas as opressões, todos os diplomas, todos os livros de teoria e fazer também arder no mármore do inferno as opiniões que não servem, só porque são diferentes.

Multidões cantam La Marseillaise [ou Beijinho no ombro, como lhe aprouver], e soltam-se de grilhões que, na verdade, nunca dantes lhes foram colocados. As correntes eram apenas a sombra de suas pequenas cavernas platonianas construídas no pó de pirlimpimpim, em pleno século XXI.

Peço licença ao português de tantas faces, e o rememoro aqui, em sua face de Alberto Caeiro, lembrando que "O essencial é saber ver./Saber ver sem estar a pensar./Saber ver quando se vê,/E nem pensar quando se vê/Nem ver quando se pensa".

Passou-se a pensar que se via o que se pensava, e então todos tiveram que ser batizados pelo sacrossanto ritual das desculpas. Eu mesma perdi as contas de quantas vezes tive que fazer posts, vídeos, tweets e sinais de fumaça me desculpando por algo que alguém tinha (des)entendido do meu texto. E lá ia a estrupícia perder seu tempo tentando mostrar que aquele focinho de porco não era tomada, e que não dava pra conectar nele as ideias distorcidas de Guy Fawkes tupiniquins...

Cansei de perder horas discutindo com trolls, mas, convenhamos, trolls não produzem conteúdo. Trolls não replicam conteúdo. Trolls não estão na mesma tela daqueles que se expõem. O grande problema são os híbridos, que de dia são Maria e de noite são João...

Por falar em tantas faces, e em tantos híbridos, não raro vemos a mesma mão que afaga, logo depois apedrejar com a fúria dos ignorantes, que apenas jogam a pedra porque viram alguém jogar antes...

Tenho, diariamente, sido obrigada a aprender defesa, uma vez que os ataques persistem sem eu ao menos ter lhes dado motivo. Ataques tolos, infundados, às vezes só porque eu disse que prefiro verde, afinal, não gostar de azul é um preconceito inconcebível...

Aqueles que, deusnoslivre, tiveram o azar de frequentar os bancos universitários, precisam curvar-se, em pedidos de desculpas. Somos intelectualóides, chatos de galocha, ditadores de regras. Tudo porque queríamos falar sobre aquilo que aprendemos, e o que achamos sobre aquilo que aprendemos. Tudo porque queríamos, generosamente, compartilhar conhecimento.

Mas, veja você, não podemos mais demonstrar conhecimento, afinal, vivemos no país dos desafortunados. Ter conhecimento é não ser humilde. Principalmente quando ser humilde é atacar quem passou mais da metade da vida fazendo escolhas que o levassem até onde chegaram. Especialmente quando ser humilde é gritar a plenos pulmões que os muros de hera que construíram o saber científico devem ser derrubados, e em seu lugar construídas salas de chá, pra quem se possa discutir sem o pedantismo acadêmico. Ser humilde é desprezar as pessoas que - que absurdo! - escolheram fazer parte da construção do conhecimento, lendo, escrevendo, perdendo noites de sono e dias de festa.

Mas que as autoridades do popularismo não nos vejam e não nos ouçam, do contrário seremos Stalins e Lênins da literatura, apenas por citarmos uma teoriazinha de nada, no meio de um oceano de sentimentos colocados em palavras. Seremos metamorfoses getulianas apesar de termos gritado a plenos pulmões, por diversas vezes, que, apesar de, apoiamos a livre expressão da opinião. Especialmente dentro desta tela, especialmente sobre nosso amor maior.

Vejam, eu não tenho - e penso que já deixei isso claro o suficiente nas outras milhões de vezes nas quais falei sobre esse assunto - problemas, preconceitos ou o diabo a quatro com a falta de conhecimento teórico. Cada um com seu cada qual, e ponto final. Desde que haja respeito, de ambas as incógnitas da função cartesiana, todos seremos felizes.

Nos encontramos num tempo em que o gosto não é mais apenas o gosto. É uma afronta pessoal. É um convite para um duelo em que as luvas não são de pelica, mas sim pesadas como os metais das armaduras que temos que usar hodiernamente.

Horas são perdidas em debates infrutíferos, em respostas a comentários feitos sem eira nem beira. Outras tantas horas são perdidas assistindo ou lendo coisas das quais não se gosta, mas as quais se vê apenas para ter o infame - e doentio, devo acrescentar - prazer de destratar, incomodar, zombar.

Nunca compreendi essa necessidade de apontar o erro, de causar o mal-estar numa civilização freudiana e machucada pelo tempo. Nunca entrei em um vídeo ou post sequer apenas para comentar sobre a franja que estava fora do lugar, sobre a pronúncia incorreta de um nome, ou então fazer comentários encantadores [nível Voldemort de consideração] sobre a vida pessoal de alguém que não conheço. Não sou a mais bela encarnação do manual de etiqueta virtual, mas me nego a perder meu tempo com quem ou aquilo de que não gosto.

Vejo apenas vídeos e leio apenas posts de pessoas com as quais tenho afinidade - seja pessoal, seja por gosto. Afinal, não é porque não sou amiga de alguém, que não posso admirar o que ela faz, e, inclusive, dizer isso a ela. Não fico stalkeando alguém de quem não gosto apenas para poder ter o sórdido prazer de apontar um erro, ou pior, inventar um erro e transformá-lo numa bacamartiana Tomada de Bastilha, dentro dos muros da Casa Verde dos comentários alheios.

E é quieta, na minha celinha 2x2, que observo o quanto esperam de nós... É casmurra, na minha telinha de 14 polegadas, que observo o quanto precisamos...

Precisamos nos desculpar por termos opinião, por não termos opinião; por termos lido, por não termos lido; por termos gostado, por não termos gostado; por termos diploma, por não termos diploma; por sermos leigos, por sermos membros da academia. Precisamos nos desculpar por não termos lembrado do aniversário do filhote da cadelinha de Fulano, porque, veja bem, que indelicadeza a nossa não ter lembrado. Pedir desculpas pra quem?! Pra nós mesmos?! Por quê?!

Precisamos dar satisfação da vida, do Universo e tudo o mais. E se essa satisfação for lida de uma forma que não a nossa, precisamos nos desculpar uma, duas, milhões de vezes, até cansarmos e jogarmos a nossa toalha de mochileiros. Até quebrarmos a perna numa luta que nem deveria ter acontecido. Até abrirmos a janela e um vento mortal nos derrubar.

Precisamos? Mesmo?! 'Cê jura, coleguinha?!

Será que um dia voltaremos a fazer vídeos só por que é divertido? Será que um dia poderemos dizer que não gostamos de Hunger Games, Proust, Cervantes, Paulo Coelho ou da Galinha Pintadinha ilustrada pra adultos [e antes que você me pergunte, penso que este último é apenas invenção da minha já tão desgastada imaginação]? Será que um dia deixaremos de falar, olhar e tratar os outros com rispidez, e nos deixaremos ser como somos?

Será que voltaremos a produzir conteúdo sem alfinetadas, indiretas, defesas e ataques? Será que voltaremos a nos atrair pelas semelhanças em vez de nos repelirmos pelas diferenças?

Quando será que colocaremos os pingos no is? Quando será que deixaremos de lado nossas lancheiras coloridas e cheias de toddynho, e sairemos das salas de aula do ensino infantil da internet?

Quando a amizade deixará de incomodar? Quando é que, em vez de confabular, zombetear e gastar tempo deixando palavras duras e pretensiosas no quintal alheio, passaremos a plantar flores em nossos próprios quintais?

Se somos nós aquilo que consideram de elite pensante e produtora de conteúdo, e ainda assim cometemos todos esse absurdos, o que esperar do resto? O que criticar no resto?!

Ó que saudades que eu tenho do tempo em que eu conversava sobre livros, filmes e nada mais...

Espero que um dia possamos voltar a ser aquelas pessoas lá do começo do texto, que compartilhavam seu tempo, seu conhecimento e seu amor pelos livros com quem estivesse disposto a escutar.

Hoje, me sinto presa numa cela, na qual não tenho o direito de falar e muito menos de responder... Como se cada palavra fosse vigiada, criticada, zombada. Como se meu respirar fosse, em si, uma ofensa para o próximo.

Não sei quanto a vocês, mas eu fui uma adolescente típica de filme dos anos 80/90. E não, não era a líder de torcida popular e gostosa. Eu era aquela gordinha, de óculos, que vivia com o nariz nos livros e comia escondida no banheiro pra modo de não ser zoada ou não ter o seu lanche roubado. Foram inúmeras as vezes em que chorei por ser diferente e não ter companhia... Foram inúmeras as vezes em que me escondi nos livros pra não me sentir solitária neste mundo cão.

E não falo isso pra comover ou causar pena, pelo amor do santo nome de Machado de Assis! Eu cresci e superei todos os fantasmas do meu passado. Nunca precisei de coitadismos como muleta, e tenho muito orgulho de ter chegado aonde cheguei com o suor do meu trabalho e minha bunda sentada na cadeira em horas intermináveis de estudo. Não tolero coitadismos, uma vez que sou discípula de Joaquim Maria, uma das mentes mais brilhantes que caminhou por estas terras, e que nunca apelou para a dó. Ao contrário, vingou-se das injustiças da vida sendo o melhor que podia ser.

Nos dias de hoje, a internet nos proporciona o maravilhoso fato de não termos que comer escondidos no banheiro mais. Ela nos ajuda a encontrar outros que, como nós, querem apenas reconhecer-se e se deixar reconhecer. Ela possibilita que falemos o que quisermos sobre política, economia, artes, futebol...

Por que é, então, que em vez de utilizarmos todo esse potencial, perdemos instantes preciosos de vida desejando e fazendo o mal ao próximo? Por que demônios precisamos maldizer o sucesso alheio em vez de construirmos o nosso próprio? Por que diabos não podemos simplesmente voar com nossas próprias asas, e deixar que as asas dos demais também voem pra onde e como lhes for melhor?!

Façamos de nosso canto virtual nosso jardim, e plantemos flores. Assim, com cada um embelezando seu próprio espaço, a rua inteira ficará mais bonita.

Imagine que o tempo que você gasta despetalando a margarida do vizinho, é o tempo que levaria para arrancar os espinhos de suas próprias rosas...

HP Charles recentemente escreveu um texto, brilhante como sempre [Internet, terra dos bravos, lar dos destemidos], sobre as relações e a falta de relações na internet. Penso que todos os que estão vagando por esta terra árida deveriam ler, compreender e tentar mudar um pouco a triste realidade que estamos ajudando a construir.

Eu estou tentando fazer a minha parte, e, cansada que me sinto, é a última vez que falo sobre tudo isso... última, dessa vez, de verdade...

Mas antes de terminar, convido Drummond e sua sábia mineirice para nos fazer companhia a todos. E então, companheiros, vamos de mão dadas? ;)

Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem
vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de
suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os
homens presentes,
a vida presente.


PS [LEIA!!!]: Antes que eu me esqueça, queridos companheiros, esse não é um texto ataque, um texto afronta, um texto indireta. Essa não é uma bandeira queimada jogada na janela alheia. É, antes, minha tentativa de nos recuperarmos  [perceberam como escrevi quase todo o texto em primeira pessoa, não me esquivando das irresponsabilidades?] de uma fase negra em nossa história. Se o Japão é capaz de se reerguer depois de cada catástrofe, aprendamos com a milenar sabedoria oriental, e nos reergamos também, uai!

Sejamos humildes, no strictu sensu da palavra, e reconheçamos que esse trem todo 'tá muito errado, e que a culpa, coleguinha, é toda nossa. Não deixemos as batatas aos vencedores, pois, se continuarmos como estamos, não sobrarão nem vencedores, nem perdedores, nem muito menos batatas, as quais apodrecerão sem serem saboreadas.

Eu não escrevi esse texto para jogar pedras, mas sim para recolher aquelas que possa ter jogado; e dizer que já são tantas, que podemos construir uma ponte com elas, ao invés dos muros que andamos erguendo. Não é necessário – muito menos possível -, que nos amemos como uma grande comunidade hippie [até porque seria nojento, cheio de gente sem tomar banho]; mas é urgente, urgentíssimo!, que nos respeitemos.

Respeitar, do latim respectus, que significa “ação de olhar para trás; consideração”.

Olhemos para trás e tenhamos consideração uns pelos outros. É o que farei, e o que espero que aqueles de bem também façam.

Quanto aos que forem da horda dos trolls, e quiserem continuar com a balbúrdia, por mim que continuem em suas cavernas, ou então que vão todos pra pontequeospartiu!

Um abraço procês!


23 comentários:

  1. Ótimo texto, Patrícia. Não produzo conteúdo pra internet, nem sou um fã, acho. Apenas gosto e admiro aquilo que você e alguns outros bons v/bloggers se dispõem a nos mostrar. E há tantos outros como eu, pessoas que amam os livros e admiram as boas almas dispostas a "conversar" sobre eles. Esse problema da internet, de redimensionar espaços sociais, pode ter ampliado o espaço dos trolls, mas também ampliou o nosso. Estou com você, porque a vida é curta demais pra ser desperdiçada comessas coisas (e pessoas). Um abraço, e força na sua/nossa caminhada!

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  2. Lindo texto, a internet vem se tornando um reflexo do mundo offline, só que em piores proporções.

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  3. Não tenho boas palavras para agora, apenas um emaranhado de sentimentos que vai do ódio ao amor... Mas eu preciso dizer que eu li todo seu texto. Talvez diga isso pela presunção de achar que isso de muito valha; valendo ou não, continuo aqui.

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  4. Eu gosto de internet, mas está cada vez mais insuportável.

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  5. Quando vejo esses textos desabafo sobre intrigas eu fico feliz de não saber o que fez que eles fossem escritos. Fico feliz de pensar que o meu único prazer na internet ao assistir videos sobre literatura é, de fato, assistir pessoas falando sobre livros. E se for pra fazer um comentário o faço para compartilhar minha opinião sobre a obra mas nunca para ofender ninguém. E quando eu leio textos como este fico me perguntando porque alguém perderia seu tempo causando mal estar e intriga. Realmente parece que muita gente ainda está "mentalmente" nos bancos do primário discutindo sobre quem puxou o cabelo de quem.

    Patricia, eu acompanho seu blog/vlog tem um tempo e gosto muito da sua forma de se expressar, do seu jeito e do seu canal. E gostaria de deixar o meu carinho porque apesar dos "trolls" também tem quem admire o seu trabalho e que não perde seu precioso tempo com intrigas desnecessárias.

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  6. Primeiro de tudo, obrigado pela sensibilidade impressa nessas palavras: Para mim, as pessoas que estão do outro lado da tela são, assim como eu, leitoras, formadoras de opinião, seres com alma e coração pulsantes e pensantes.

    Você disse muito mais do que minhas pobres palavras poderão fazer. Agradeço o amor pelos livros, vida, outro. Por sua causa tive muitos acontecimentos literários, momentos em que se suspendeu o tempo para viver muito mais que a própria vida. E é por causa dessa potência no agir que fico aqui, a espera desse encontro contigo.

    "Eu cresci e superei todos os fantasmas do meu passado." E pela força que vi nessas palavras continurá vencendo os do presente.

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  7. aquila non capit muscas (alguem vai achar de um pedantismo imperdoavel, coisa de pseudointelectual rs)

    Tudo isso é muito pequeno diante da vida, da vida de verdade, nao a virtual.
    Aos imbecis de a honra da indiferença ou se divirta com eles ;)

    Sua leitora.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Oi Patrícia. Geralmente não faço comentários nos blogs que acompanho apenas por vergonha mesmo, mas dessa vez me senti intimado a falar. =)
    Expor as próprias ideias é sempre complicado e acredito que no meio virtual isso seja muito mais, já que estamos lidando com um mundo onde qualquer pessoa pode ter acesso e ver o nosso ponto de vista. Discordar e concordar com a opinião alheia faz parte dos diálogos e isso é ótimo. O que, infelizmente, muita gente não consegue entender é que opinião é uma coisa que deve ser respeitada.
    As vezes vejo alguns trolls que perdem tempo apenas pra reclamar que a sua série favorita está na ordem "errada" na prateleira do blogger/vlogger.
    Sou inscrito em muitos blogs/vlogs literários porque acredito que a opinião dos outros sobre livros tem muito a acrescentar. Estou passando por um processo bastante positivo de descoberta de novos autores com esse tanto de informação sobre livros que vejo diariamente, e você é uma das responsáveis por isso. É tanta coisa boa que vejo, que tenho vontade de comprar tudo (só falta o dinheiro, rs), No mais, só tenho a agradecer o fato de você abrir um espaço na sua agenda pra trazer pro seu público o seu ponto de vista sobre o que nos trouxe até aqui, a paixão pela leitura.

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  10. Oi Patricia, acho que nunca comentei aqui no seu blog.
    Não sabia que tinham aqueles que as atacavam. Sério mesmo?

    Para mim, vocês são pessoas que falam de livros e que, muitas vezes, me levam a livraria! hehe
    Tem mais?
    Essa gente complica demais a vida, sô! ;)

    beijão e, por favor, continue papeando comigo via youtube. ;*

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  11. Patrícia, minha querida, não desanime. Sou uma daquelas pessoas que se animam a ler por causa das suas dicas, e sempre tenho surpresas agradáveis. Você e a Juliana Gervason sempre muito elegantes e coerentes nas suas opiniões e posturas, não ficam alimentando intrigas. Parabéns!

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  12. Texto excelente, Patrícia. De uma sensibilidade impar. Eu não sei o motivo pelo qual o texto foi necessário e nem pretendo saber, por que trolls e egocêntricos... Francamente, são só um tempo perdido. Mas é difícil para quem está, assim como você, criando conteúdo (de ótima qualidade. Minha opinião) não levar em consideração, por que, por mais que tentemos praticar o desprendimento e o f*da-se, não é nada fácil por que é o o nosso nome que está ali. Não desanime, continue dividindo conosco seu amor pelos livros, por que você faz isso muito bem. Um abraço.

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  13. Sensivel!!! Neste "teu jardim"encontro beleza e perfume que me deixam o coração de leitora aliviada!! Sou tua admiradora sim...mas sem nenhuma pretensão, simplesmente porque qdo te leio me acrescemta. Bjs.

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  14. Adoro sua forma de escrever e se expressar! Nunca desanime, é isso que eles querem...

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  15. Adoro sua forma de escrever e se expressar! Nunca desanime, é isso que eles querem...

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  16. Ótimo texto!
    Às vezes, quando estamos muito envolvidos com algo (no caso, com a comunidade da internet), é bom dar um passo para trás, onde podemos ver o todo com mais clareza, e refletir se estamos dando atenção ao que realmente importa.

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  17. Não dê pérolas aos porcos. Eles as comerão.

    Ótimo texto, Patrícia.
    bjo,
    Camilla

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  18. Muito legal!

    Respeito!

    "Cada um com seu cada qual, e ponto final. Desde que haja respeito, de ambas as incógnitas da função cartesiana, todos seremos felizes."

    Gostei de ler seu texto, to muito gradicida!!!
    [...]
    Um abração forte no cê Patrícia!

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  19. Palavras de Bertrand Russelll, de quem a Patricia já falou em Logicomix:
    "O amor é sábio, e o ódio é tolo. Neste mundo que se torna mais e mais interconectado, temos que aprender a tolerar uns aos outros, temos que aprender a aguentar o fato de que algumas pessoas dizem coisas que não gostamos. Só podemos viver juntos dessa maneira. Se formos viver juntos e não morrer juntos, precisamos aprender a caridade e a tolerância, que são absolutamente vitais para a continuação da vida humana neste planeta."

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  20. Olá Patricia,

    Vagueando por aí, achei seu blog e eis que me deparei logo com esse texto que reflete sobre muitas coisas sobre as quais penso bastante ultimamente, por outros motivos e considerações próprias.
    Eu já falei uma vez pra um amigo que vai ainda existir um dia em que aqueles que amam o conhecimento, terão que se envergonhar dele, tal a loucura dos valores. É de doer o coração mesmo.

    http://epopeiascariocas.blogspot.com.br/2014/02/a-ditadura-da-ignorancia-orgulhosa.html

    Um grande abraço!

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Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

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