terça-feira, 29 de abril de 2014

Keep the faith...


Há dias em que o mundo ao redor parece uma grande e pesada nuvem cinza... Nenhum raio de sol se atreve a atravessar o desânimo e a desesperança. Quando resolvemos um problema, logo atrás vem outro, ainda maior. E enquanto andamos, de um lado pro outro, tentando encontrar soluções, acabamos metendo o maldito mindinho na quina da cama.

Eu conheço bem esses dias. Tenho vivido muitos deles sucessivamente. Como uma avalanche de segundas-feiras a engolir minha últimas esperanças.

Em momentos como esses, em que nosso único desejo é não ter mais desejos, e dormir tal qual a dona Adormecida, nossa única salvação é manter a fé. Seja a fé em um deus ou deusa. Seja a fé em dias melhores. Seja a fé em nós mesmos.

Podemos perder amor, amigos, dinheiro, emprego, sonhos... Só não podemos perder a fé.

Sente-se no seu canto preferido da casa. Entoe um mantra ou uma canção que lhe faça bem. Acenda um incenso. Tome um banho. Ande descalço na grama. Reze. Ligue pra um amigo e fale sobre sua arte preferida. Cante alto. Dance feito doido. Caminhe sem rumo. Escreva. Pinte. Desenhe. Faça alguma coisa. Faça qualquer coisa que lhe faça bem, só não deixe sua fé ir embora... Ela é o único raio de sol capaz de mandar embora a nuvem cinza.

Agradeça às forças nas quais acredita. Agradeça, apesar de. Porque, por mais que tenhamos perdido, ainda temos muito. Olhe para o lado, e perceba quantas graças ainda estão enchendo suas mãos. Agradeça. E peça apenas, e tão somente, para que a fé permaneça dentro de você.

Eu estou aqui, tentando manter a esperança que só a fé é capaz de nutrir. Espero que você mantenha a sua.

De longe te mando um abraço apertado, e deixo o lindo do Bon Jovi ecoando em nossos ouvidos...

"Everybody needs somebody to love (mother, mother)
Everybody needs somebody to hate (please believe me)
Everybody's bitching 'cause they can't get enough
When it's hard to hold on
And there's no one to lean on

Faith!: You know you're gonna live trough the rain
Lord we've gotta keep the faith
Faith!: Dont you let your love turn to hate
Now we've gotta keep the faith

Keep the faith, keep the faith
Lord we've gotta keep the faith"


Beijo procê...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sobre redes sociais e meu sumiço delas...

Quem tem o hábito de me acompanhar nas redes sociais, já deve ter percebido meu desparecimento de praticamente todas elas. Ainda mantenho postagens diárias no Instagram [mais como recurso pra memória caduca do que como rede social efetivamente] e tenho passado bastante tempo no Pinterest. De resto, facebook, twitter, canal no youtube, blog e até whatsapp andam bastante abandonados...

Tenho duas explicações principais:
  • O trabalho tem me tomado muito, muito tempo. Pesquisar, estudar, preparar aulas, corrigir provas, dar aula. Enfim... Tudo isso tem me exigido uma dedicação bastante grande;
  • Tenho repensado por demais as minhas relações sociais [físicas e virtuais].


Estou em processo de mudança de casa [Sim! De novo! Logo conto sobre isso procês...], e toda mudança me leva, ainda que eu não queira, a rever meus valores, a revisar minha conduta, a reavaliar minha vida... Como se a cada mudança eu me tornasse uma fênix, e renascesse outra. E essa outra Patrícia está de saco cheio de redes sociais.

Estou cansada da urgência cada vez mais urgente do mundo virtual. Se por um lado a virtualidade estreita laços com o próximo, por outro ela nos afasta de nós mesmos, afinal, nunca estamos sozinhos. Nunca!

O smartphone se tornou praticamente parte integrante de nossa mão, como um outro dedo ou coisa que valha. Não sabemos mais ser sozinhos. Pior, nos sentimos pressionados a não sermos sozinhos, como se estar conosco mesmo não fosse o suficiente.

Antigamente, víamos os amigos nos finais de semana, nas rodas de tereré de tardezinha, nos encontros previamente marcados. Agora, nossos amigos estão, literalmente, ao alcance de nossas mãos. Até em mesas de bar, nas quais debatíamos, ríamos e conversávamos, nos deixamos enganar pela falsa noção de presença que a tecnologia móvel nos dá. Conversamos com o amigo do lado pelo whatsapp! Veja a que ponto chegamos!!!

Eu nunca tive muitos amigos. Quando criança, não tinha nenhum. Como eu tinha problemas pra correr e ser uma criança normal, tinha que me contentar em ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários com minhas bonecas.

Na adolescência a coisa não mudou muito de figura. Tinha menos amigos que os dedos de uma mão, e continuava com a mesma rotina de ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários (mas, dessa vez, com palavras).

Foi a Faculdade que me trouxe amigos. E foi a internet que potencializou a minha capacidade comunicativa. E também me trouxe amigos tão inestimáveis quanto os feitos nos corredores universitários [ou nos bares dos arredores].

Hoje, eu tenho milhares de conhecidos. Pessoas que fazem parte da minha vida - virtualmente, devo acrescentar - mas ainda assim, fazem parte da minha vida. Meu círculo social se expandiu, mas ainda não sei muito bem como me encaixar nele.

Quem me conhece de longa data dessas terras áridas virtuais sabe muito bem que um dos meus maiores defeitos é não responder a comentários. Não sei o que acontece. Simplesmente não sei! Muito provavelmente uma peça quebrada, ou pura e simples falta de organização.

Sei que como pessoa pública - fato que ainda não consegui assimilar, mesmo depois de anos me expondo no mundo virtual - tenho minhas obrigações com as pessoas que me acompanham. Na verdade, não faço por obrigação, mas como retribuição ao carinho. E, ainda que em silêncio, sorrio em agradecimento por alguém que sequer me conhece, ter me doado um pouco do seu tempo.

Além disso, tenho tido pânico de pensar que a urgência do mundo é uma obrigação minha. Aliás, você já parou pra pensar se suas respostas no whatsapp são de verdade ou mero reflexo da obrigação de estar presente?

É claro que eu adoro poder estar mais próxima dos amigos mais vezes por semana! O que me incomoda é me sentir obrigada a responder tudo numa rapidez desenfreada. Me incomoda não ter mais o direito de estar sozinha. Me incomoda, sobretudo, me sentir aprisionada na grande teia virtual.

Essa semana, assisti ao programa Saia Justa. Era um episódio no qual elas discutiam exatamente sobre o quanto somos dominados pelas tecnologia virtual. Para além disso, elas discutiam sobre nossa incapacidade de manter o foco e manter nosso controle cognitivo.

Ao citarem o estudioso  Daniel Goleman - o qual fala um pouco nesse vídeo aqui - e seu livro "Foco" [Nessa entrevista aqui, para a Revista Exame, o autor fala um pouco sobre o tema e sobre o livro], as meninas falaram sobre essa nossa tão recente falta de controle sobre nossos impulsos e, consequentemente, sobre nós mesmos.

Confesso que me senti bastante mal ao pensar no quanto sou escrava das tecnologias. Lembrei da culpa que acumulo quando não respondo uma mensagem ou um e-mail na hora em que recebo. Lembrei da necessidade pungente de abrir o Facebook incontáveis vezes por dia. Aliás, hoje em dia, abrir o Facebook é o equivalente a abrir a geladeira pra pensar: não sabemos o que queremos, nem se queremos alguma coisa. Fazemos pela pura força do hábito.

Enquanto isso, nossos projetos pessoais vão ficando de lado. Arrumar aquela gaveta é menos importante do que ficar vendo memes sem sentido numa página ainda mais sem sentido no Facebook. Ler aquele texto há muito deixado ao lado da cama é menos prazeroso do que discutir o tempo num grupo do whatsapp.

Será que chove? Penso que chuva, daqui uns dias, só de pessoas perdidas sem saber viver fora da tela.

Tenho medo do que nos tornaremos. Na verdade, tenho medo há muito tempo, mas agora, estou começando a ter pavor. "A humanidade é desumana", já cantava um Renato que não ficou aqui pra escrever suas ideias brilhantes no Twitter. Somos cada dia menos humanos, e menos capazes de conviver conosco mesmos.

Digo isso por mim, não por você. Digo somos porque me sinto parte dessa massa disforme que caminha para o caos mais uma vez. Só que desta vez, serão muito mais que trezentos morrendo juntos. Serão milhões massacrados por si próprios.

De modo que, se eu demorar pra responder uma mensagem sua, por favor, não pense que é descaso! Sou só eu tentando retomar o controle da minha vida... ;)

Um beijo procês!
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