quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sobre redes sociais e meu sumiço delas...

Quem tem o hábito de me acompanhar nas redes sociais, já deve ter percebido meu desparecimento de praticamente todas elas. Ainda mantenho postagens diárias no Instagram [mais como recurso pra memória caduca do que como rede social efetivamente] e tenho passado bastante tempo no Pinterest. De resto, facebook, twitter, canal no youtube, blog e até whatsapp andam bastante abandonados...

Tenho duas explicações principais:
  • O trabalho tem me tomado muito, muito tempo. Pesquisar, estudar, preparar aulas, corrigir provas, dar aula. Enfim... Tudo isso tem me exigido uma dedicação bastante grande;
  • Tenho repensado por demais as minhas relações sociais [físicas e virtuais].


Estou em processo de mudança de casa [Sim! De novo! Logo conto sobre isso procês...], e toda mudança me leva, ainda que eu não queira, a rever meus valores, a revisar minha conduta, a reavaliar minha vida... Como se a cada mudança eu me tornasse uma fênix, e renascesse outra. E essa outra Patrícia está de saco cheio de redes sociais.

Estou cansada da urgência cada vez mais urgente do mundo virtual. Se por um lado a virtualidade estreita laços com o próximo, por outro ela nos afasta de nós mesmos, afinal, nunca estamos sozinhos. Nunca!

O smartphone se tornou praticamente parte integrante de nossa mão, como um outro dedo ou coisa que valha. Não sabemos mais ser sozinhos. Pior, nos sentimos pressionados a não sermos sozinhos, como se estar conosco mesmo não fosse o suficiente.

Antigamente, víamos os amigos nos finais de semana, nas rodas de tereré de tardezinha, nos encontros previamente marcados. Agora, nossos amigos estão, literalmente, ao alcance de nossas mãos. Até em mesas de bar, nas quais debatíamos, ríamos e conversávamos, nos deixamos enganar pela falsa noção de presença que a tecnologia móvel nos dá. Conversamos com o amigo do lado pelo whatsapp! Veja a que ponto chegamos!!!

Eu nunca tive muitos amigos. Quando criança, não tinha nenhum. Como eu tinha problemas pra correr e ser uma criança normal, tinha que me contentar em ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários com minhas bonecas.

Na adolescência a coisa não mudou muito de figura. Tinha menos amigos que os dedos de uma mão, e continuava com a mesma rotina de ficar em casa, ler, assistir tv ou inventar mundos imaginários (mas, dessa vez, com palavras).

Foi a Faculdade que me trouxe amigos. E foi a internet que potencializou a minha capacidade comunicativa. E também me trouxe amigos tão inestimáveis quanto os feitos nos corredores universitários [ou nos bares dos arredores].

Hoje, eu tenho milhares de conhecidos. Pessoas que fazem parte da minha vida - virtualmente, devo acrescentar - mas ainda assim, fazem parte da minha vida. Meu círculo social se expandiu, mas ainda não sei muito bem como me encaixar nele.

Quem me conhece de longa data dessas terras áridas virtuais sabe muito bem que um dos meus maiores defeitos é não responder a comentários. Não sei o que acontece. Simplesmente não sei! Muito provavelmente uma peça quebrada, ou pura e simples falta de organização.

Sei que como pessoa pública - fato que ainda não consegui assimilar, mesmo depois de anos me expondo no mundo virtual - tenho minhas obrigações com as pessoas que me acompanham. Na verdade, não faço por obrigação, mas como retribuição ao carinho. E, ainda que em silêncio, sorrio em agradecimento por alguém que sequer me conhece, ter me doado um pouco do seu tempo.

Além disso, tenho tido pânico de pensar que a urgência do mundo é uma obrigação minha. Aliás, você já parou pra pensar se suas respostas no whatsapp são de verdade ou mero reflexo da obrigação de estar presente?

É claro que eu adoro poder estar mais próxima dos amigos mais vezes por semana! O que me incomoda é me sentir obrigada a responder tudo numa rapidez desenfreada. Me incomoda não ter mais o direito de estar sozinha. Me incomoda, sobretudo, me sentir aprisionada na grande teia virtual.

Essa semana, assisti ao programa Saia Justa. Era um episódio no qual elas discutiam exatamente sobre o quanto somos dominados pelas tecnologia virtual. Para além disso, elas discutiam sobre nossa incapacidade de manter o foco e manter nosso controle cognitivo.

Ao citarem o estudioso  Daniel Goleman - o qual fala um pouco nesse vídeo aqui - e seu livro "Foco" [Nessa entrevista aqui, para a Revista Exame, o autor fala um pouco sobre o tema e sobre o livro], as meninas falaram sobre essa nossa tão recente falta de controle sobre nossos impulsos e, consequentemente, sobre nós mesmos.

Confesso que me senti bastante mal ao pensar no quanto sou escrava das tecnologias. Lembrei da culpa que acumulo quando não respondo uma mensagem ou um e-mail na hora em que recebo. Lembrei da necessidade pungente de abrir o Facebook incontáveis vezes por dia. Aliás, hoje em dia, abrir o Facebook é o equivalente a abrir a geladeira pra pensar: não sabemos o que queremos, nem se queremos alguma coisa. Fazemos pela pura força do hábito.

Enquanto isso, nossos projetos pessoais vão ficando de lado. Arrumar aquela gaveta é menos importante do que ficar vendo memes sem sentido numa página ainda mais sem sentido no Facebook. Ler aquele texto há muito deixado ao lado da cama é menos prazeroso do que discutir o tempo num grupo do whatsapp.

Será que chove? Penso que chuva, daqui uns dias, só de pessoas perdidas sem saber viver fora da tela.

Tenho medo do que nos tornaremos. Na verdade, tenho medo há muito tempo, mas agora, estou começando a ter pavor. "A humanidade é desumana", já cantava um Renato que não ficou aqui pra escrever suas ideias brilhantes no Twitter. Somos cada dia menos humanos, e menos capazes de conviver conosco mesmos.

Digo isso por mim, não por você. Digo somos porque me sinto parte dessa massa disforme que caminha para o caos mais uma vez. Só que desta vez, serão muito mais que trezentos morrendo juntos. Serão milhões massacrados por si próprios.

De modo que, se eu demorar pra responder uma mensagem sua, por favor, não pense que é descaso! Sou só eu tentando retomar o controle da minha vida... ;)

Um beijo procês!

9 comentários:

  1. Oi Pati, tudo bem?

    Também não gosto de me sentir aprisionada por nada, por isso as pessoas que me conhecem já sabem: leio a mensagem (ou nem chego a ler), respondo quando puder ;) hahahaha.
    É que essa vida de estudar e trabalhar já me esgota, então...

    Beijos!

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  2. Eu sempre perguntava como vc dava conta de tudo isso, lembra? Que bom que está dando um tempo... nem me atrevo a entrar em novas redes sociais, mal tenho usado o facebook. Como vc disse, abro mesmo só pelo velho hábito de abrir..
    Não precisa me responder não, viu :D... descansa um pouco!
    Bjão, se cuida!

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  3. Pati,

    Esse ano eu abandonei muito mais as redes sociais... mas ainda assim o celular me desvirtua (bizarro)... ao mesmo tempo que veio pra me ajudar me atrapalha... Nós (humanidade) precisamos parar de acelerar as coisas, reflete até mesmo na nossa saúde.
    Mas enfim, é bom dar esse tempo mesmo das redes... ;)

    O importante é ter um blog/vlog e de vez enquanto colocar lá algo nosso, pessoal e que ficará registrado.


    Beijooooo.

    P.s.: Queria saber escrever "ingual" você =D

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  4. Olá Patrícia,

    Gostei muito do que você escreveu, como sempre, e mais uma vez chego a concordar com seu texto e a temer essa nossa sociedade que se entrega a vícios tão fáceis. Eu utilizo o facebook e já acho que o faço demais, celular com android eu desisti, pois reparei que viver dependendo de um aparelho é o mesmo que não viver, perdemos a emoção aos poucos e tudo vai perdendo a graça.

    Beeijoos :)

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  5. Olá!!!

    Tome o controle da sua vida, mas não esqueça de nós ok? Realmente sentimos sua falta.

    ps.: mais mudança!!! caramba!!! Que coragem

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  6. Precisava mesmo ler isso, pois me encontro em ambos os lados: aquele que cobra e é consumido pela impaciência e aquele que se inquita pelo fato de nunca haver silêncio. O fato de abrirmos o facebook para pensar como antes fazíamos com a geladeira foi, para mim, o mais significativo. Jogamos nosso tempo para "suspender" o pensamento, direcionar para o "vazio", simplesmente "estar de pé" sem um direcionamento claro par frente da tela do computador. Com o facebook aberto sempre surge alguma coisa que engatilha um tempo roubado e o pior é que deixamos ser assaltados. Compreendo que não possa responder a todos individualmente, mas as palavras que produz, o texto que oferece é inegavelmente uma resposta intensa por afetos. Obrigado por me convidar a pensar de novo. Sinta o meu abraço e reerga o seu sorriso. Boa sorte na vida (com ou sem internet). :)

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  7. Adorei o blog! Parabéns!
    Estou passando também para divulgar meu blog literário:

    www.livreeespontanealeitura.blogspot.com

    Aguardo sua visita!
    Espero que siga e goste do blog =)
    Beijos!

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  8. Nossa sociedade está cada dia mais refém dessas redes sociais. Eu mesma sou uma.
    Achei você por que o twitter me mandou um email recomendando seu perfil, abri e vi o instagram e lá achei o endereço para o blog.
    Liguei o computador para fazer a lição do curso de inglês de amanhã, já estou aqui há quase 1 hora e até agora não inseri o dvd para assistir.
    Seu post me deu um tapa na cara. Acho que precisamos tentar utilizar menos essas ferramentas e viver mais.
    Vou fazer o que tenho que fazer agora.

    Beijos!

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  9. Oi, Patrícia! Muito boa a sua reflexão!

    Destacarei os trechos que mais me chamaram a atenção no desenvolvimento das suas ideias. :)

    "Se por um lado a virtualidade estreita laços com o próximo, por outro ela nos afasta de nós mesmos, afinal, nunca estamos sozinhos. Nunca!"

    Exatamente. E que falta nos têm feito esses momentos de solidão voluntária... :/

    "Aliás, hoje em dia, abrir o Facebook é o equivalente a abrir a geladeira pra pensar: não sabemos o que queremos, nem se queremos alguma coisa. Fazemos pela pura força do hábito."

    Ótima comparação. Perfeita.

    "Arrumar aquela gaveta é menos importante do que ficar vendo memes sem sentido numa página ainda mais sem sentido no Facebook."

    Outra ótima colocação. Existem atividades aparentemente banais, mas que no fundo considero mais importantes e até mesmo mais prazerosas do que ficar checando conteúdo em redes sociais. Arrumar gavetas e organizar coisas eu considero duas delas. :)

    Da minha parte, dei um basta. Saí das redes há uns meses. Não troquei meu velho celular, não aderi a whatsapp, nem Instagram, nem Skype, nem nada. Mantenho meu Gmail e respectivo GTalk/Hangouth. Está legal assim. :)

    Abraços! E continue escrevendo no blog. Vou acompanhar.

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